A abstenção nas eleições de 2026 atingiu o maior percentual registrado em um primeiro turno de eleições para governador em São Paulo desde, pelo menos, 2014. Neste domingo (4), 22,56% dos eleitores aptos não compareceram às urnas no estado, o equivalente a 7.687.443 pessoas.
O índice mantém uma trajetória de crescimento observada nas últimas eleições. Em 2022, a abstenção foi de 21,61%, quando 7.495.213 eleitores deixaram de votar. Em 2018, o percentual havia sido de 21,52%, com 7.111.896 ausentes. Já em 2014, 19,52% do eleitorado não compareceu às urnas, o equivalente a 6.245.198 pessoas.
Na comparação com 2014, a taxa de abstenção aumentou 3,04 pontos percentuais. Em números absolutos, são cerca de 1,44 milhão de eleitores a mais que deixaram de votar em 2026 do que naquele pleito.
A diferença também aparece quando a série histórica é ampliada. Em 2010, a abstenção no primeiro turno em São Paulo havia sido de 16,4%. O percentual passou para 19,52% em 2014, subiu para 21,52% em 2018, chegou a 21,61% em 2022 e alcançou 22,56% neste ano.
Apesar do crescimento percentual entre as eleições, o salto mais expressivo ocorreu entre 2010 e 2018. Em oito anos, a taxa aumentou mais de cinco pontos percentuais.
Na capital paulista, a taxa ficou acima da média estadual. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), 23,4% dos eleitores paulistanos não compareceram às urnas, o equivalente a mais de 2,1 milhões de pessoas.
Na disputa pelo governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas foi reeleito no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos. O governador venceu Fernando Haddad, que terminou a eleição com 36,42%. A diferença entre eles foi de 26,43 pontos percentuais.
Abstenção cresce no país
O aumento da ausência dos eleitores não ocorreu apenas em São Paulo. No primeiro turno de 2026, a abstenção nacional foi de 21,08%, segundo os dados divulgados após a votação.
O percentual também vem crescendo nas últimas eleições gerais. Em 2006, 16,75% dos eleitores brasileiros não compareceram às urnas. A taxa passou para 18,12% em 2010, 19,39% em 2014, 20,33% em 2018 e 20,95% em 2022.
Assim como nas eleições anteriores, São Paulo ficou acima da média nacional em 2026. A diferença foi de 1,48 ponto percentual.
Diferenças nos votos
A ausência às urnas não deve ser confundida com os votos brancos e nulos. A abstenção corresponde aos eleitores que não compareceram ao local de votação. Já os votos brancos e nulos são registrados por pessoas que foram às urnas, mas não escolheram nenhum candidato de forma válida.
Na disputa pelo governo de São Paulo em 2026, os votos brancos representaram 5,11% dos votos, enquanto os nulos chegaram a 7,3%.
O cenário de 2026, portanto, consolida uma sequência de aumento da abstenção em São Paulo. Desde 2014, o percentual de eleitores que não comparecem às urnas cresce a cada eleição geral, passando de 19,52% para os atuais 22,56%.
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