CONCESSIONÁRIA

Aneel adia decisão sobre fim da concessão da Enel em São Paulo

Pedido de vista suspende julgamento após relatora recomendar rompimento

Aneel adia decisão sobre fim da concessão da Enel em São Paulo
Enel-SP disse que caducidade pode prejudicar a prestação do serviço Crédito: Divulgação/ANEEL

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) adiou nesta terça-feira (6), pela segunda vez, a decisão sobre a possível perda da concessão da Enel São Paulo. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do diretor Gentil Nogueira, que solicitou mais tempo para analisar o processo. Antes da suspensão, a relatora, Agnes da Costa, votou pela recomendação de caducidade, que significa o encerramento antecipado do contrato da distribuidora.

A diretora Ludmila Lima acompanhou o voto da relatora. Com o pedido de vista, porém, a análise pelo colegiado ficará para uma nova reunião. Caso a maioria da diretoria aprove a caducidade, a recomendação será encaminhada ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela decisão final sobre a concessão, atualmente prevista para terminar em 2028.

O processo foi aberto após sucessivos problemas no fornecimento de energia na Região Metropolitana de São Paulo. A fiscalização da Aneel analisou a atuação da concessionária durante eventos climáticos extremos registrados entre 2023 e 2025 e concluiu que houve falhas na preparação, na resposta operacional e na recomposição do sistema. Em dezembro de 2025, milhões de unidades consumidoras ficaram sem energia, algumas delas por vários dias.

Ao apresentar o voto, Agnes afirmou que as medidas regulatórias adotadas anteriormente não foram suficientes para corrigir de forma definitiva os problemas identificados. A relatora também considerou que, mesmo diante de eventos climáticos extraordinários, a concessionária tem obrigação de adotar medidas para reduzir os impactos sobre os consumidores.

A Enel contesta as conclusões. A empresa afirma que apresentou avanços operacionais, questiona os critérios utilizados pela fiscalização e sustenta que a dimensão dos eventos climáticos precisa ser considerada na avaliação do desempenho. A distribuidora também pediu o arquivamento do processo e argumentou que o prosseguimento da caducidade pode prejudicar a prestação do serviço.

Em agosto, a Aneel rejeitou pedido da companhia para realização de perícia técnica independente. No fim de setembro, a agência também negou recurso contra essa decisão e encerrou a fase de instrução do processo. Segundo a autarquia, a discussão central não é a intensidade dos fenômenos meteorológicos, mas a capacidade da empresa de se preparar e restabelecer o fornecimento diante dessas ocorrências.

A eventual caducidade seria uma medida inédita no setor de distribuição de energia elétrica no país. A Enel atende aproximadamente 8,5 milhões de unidades consumidoras na Grande São Paulo. Até a retomada do julgamento e uma eventual decisão do Ministério de Minas e Energia, a empresa permanece responsável normalmente pela concessão.