Onze das 17 regiões de saúde do estado de São Paulo foram classificadas como prioritárias para ações de prevenção e resposta à dengue, chikungunya e zika diante dos possíveis efeitos do El Niño. A definição consta de plano da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) para orientar os municípios e preparar os serviços para uma eventual alta de casos nos próximos meses.
A lista inclui os Departamentos Regionais de Saúde (DRS) de Araçatuba, Araraquara, Barretos, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São João da Boa Vista e São José do Rio Preto.
A preocupação está relacionada à combinação de temperaturas mais elevadas e aumento das chuvas, condições que podem favorecer a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor das três doenças. A avaliação também considera a possibilidade de maior procura pelos serviços de saúde e aumento das internações.
Segundo boletim de monitoramento do El Niño elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em parceria com outros órgãos, há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre setembro e novembro. Para o período, são previstas temperaturas acima da média em praticamente todo o país e chuvas acima da média em parte do estado de São Paulo.
“A alternância entre períodos de calor e chuva pode favorecer a proliferação do Aedes aegypti e a transmissão das arboviroses”, afirma Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP.
Casos caem 93,2% em um ano
O alerta ocorre em um ano de redução dos registros de dengue. Até a 35ª semana epidemiológica de 2026, São Paulo contabilizou 58.271 casos da doença, ante 855.132 no mesmo período de 2025.
A diferença é de 796.861 casos, uma queda de 93,2%. A Secretaria da Saúde mantém o acompanhamento semanal dos indicadores para identificar alterações na circulação do vírus e orientar medidas de vigilância, controle do mosquito e atendimento.
O planejamento para o El Niño trabalha com quatro situações: chuvas extremas; enchentes e deslizamentos; ondas de calor e queimadas; e arboviroses. Para dengue, chikungunya e zika, estão previstas ações de vigilância epidemiológica, acompanhamento dos indicadores, controle do vetor e organização dos serviços para uma eventual elevação da demanda.
Combate aos criadouros
Uma das principais medidas de prevenção é eliminar locais que possam acumular água. A recomendação é fazer vistorias semanais nas residências, especialmente depois das chuvas.
Caixas-d’água e outros reservatórios devem permanecer fechados, enquanto calhas precisam estar livres de folhas e materiais que impeçam o escoamento. Garrafas devem ser armazenadas com a abertura voltada para baixo. Pneus, embalagens e objetos capazes de acumular água também precisam ser descartados ou guardados adequadamente.
Pratos de vasos de plantas podem ser preenchidos com areia. No caso de plantas aquáticas, a orientação é trocar a água e lavar os recipientes pelo menos uma vez por semana. Quintais, varandas, ralos e áreas de serviço também devem ser verificados.
Sintomas exigem atenção
A dengue costuma começar com febre acima de 38°C, de início repentino e duração de dois a sete dias. Também podem ocorrer dor de cabeça, dores no corpo e nas articulações, dor atrás dos olhos, fraqueza, náuseas, vômitos, manchas vermelhas e coceira.
Dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos e cansaço extremo ou irritabilidade são sinais de alarme, principalmente quando a febre começa a diminuir. Nesses casos, a orientação é buscar atendimento médico. Em caso de suspeita da doença, a recomendação também é evitar a automedicação.
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