ELEIÇÕES 2026 - CASO MASTER

Tarcísio e Haddad defendem apuração sobre STF em meio ao caso Master

Governador apoia decisão de Mendonça; petista cobra autonomia da PF e transparência

Tarcísio e Haddad defendem apuração sobre STF em meio ao caso Master
Candidatos ao Governo de SP tem posições diferentes sobre as investigações Crédito: Caiuá Maia / Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas e Diogo Zacarias

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o candidato do PT ao governo, Fernando Haddad, defenderam investigação e responsabilização diante da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada às apurações sobre o Banco Master. Os dois, porém, adotaram posições diferentes sobre a atuação do ministro André Mendonça e da Polícia Federal (PF).

Nesta terça-feira (8), Tarcísio apoiou a decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. O ministro determinou ainda a abertura de investigação penal e administrativo-disciplinar sobre a atuação de Rodrigues. A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter os afastamentos.

“Eu acho que é uma decisão acertada. O ministro André tem as razões, e nas razões ele está falando do constrangimento ilegal. Isso não pode ser permitido”, afirmou Tarcísio. Segundo ele, a PF deve atuar como uma “polícia de Estado” e autoridades responsáveis por investigações não podem ser constrangidas ilegalmente.

O governador também manifestou apoio a Mendonça. “André hoje representa uma esperança. Existe uma saturação: ninguém aguenta mais determinadas situações”, declarou. Tarcísio afirmou ainda que o Supremo enfrenta uma crise de credibilidade e defendeu que as dúvidas sobre a conduta de magistrados sejam respondidas pelo próprio tribunal. “A confiança nas instituições precisa ser restaurada. E não vai ser restaurada nem com silêncio nem com corporativismo. Ela vai ser restaurada com apuração, com responsabilização.”

Haddad, por sua vez, defendeu que a Polícia Federal tenha autonomia para investigar todos os envolvidos e que seja retirado o sigilo das apurações relacionadas ao Banco Master. Na quinta-feira (3), durante agenda em São José dos Campos, o petista afirmou: “Com transparência nós podemos resolver qualquer crise”. Também declarou que “todo mundo está submetido às mesmas leis, tem que cumprir as mesmas leis”.

No dia seguinte, em entrevista à rádio TMC, Haddad disse ver “com muita tristeza” a crise institucional no STF e voltou a pedir a divulgação das investigações. “Tem que deixar a Polícia Federal trabalhar com autonomia, investigando juiz, ministro, deputado, senador, quem quer que seja. Temos que acabar com o sigilo das investigações”, afirmou.

O candidato do PT também citou a operação Dark Horse, que apura o financiamento da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e defendeu que eventuais irregularidades sejam investigadas em conjunto. Para Haddad, quem tiver cometido ilegalidades deve responder, independentemente do cargo.