A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo (PRE-SP) arquivou, na esfera eleitoral, a apuração sobre uma suposta intimidação policial contra o motorista Alessandro Caseri, do candidato ao governo, Fernando Haddad (PT), mas encaminhou o caso ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Um parecer técnico contratado por Haddad, apresentado nesta segunda-feira (31), concluiu que imagens de câmeras de segurança são compatíveis com a versão apresentada pelo motorista do candidato sobre a parada de uma viatura policial na região do Hotel Pullman, na capital.
O caso ocorreu na noite de 11 de agosto. Haddad voltava de um evento quando uma viatura da Polícia Militar teria direcionado um feixe de luz para o veículo próximo à residência do candidato. Após Haddad desembarcar, o motorista Alessandro Caseri relatou ter percebido movimentação de outra viatura durante o trajeto pela Avenida 23 de Maio e decidiu parar próximo ao hotel.
A PRE requisitou informações à Secretaria da Segurança Pública (SSP) e à Polícia Militar. Conforme os dados apresentados, a viatura M-03010, relacionada ao primeiro episódio, já estava na base às 21h56. O carro conduzido por Caseri chegou à região do hotel às 21h58. Outra viatura, M-12070, entrou no local às 22h24, enquanto o veículo do motorista saiu às 22h26.
Com as informações, o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt afastou a existência de elementos que atribuíssem ilícito eleitoral ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, afirmou ser “inverossímil” que, em um intervalo de 44 minutos e em uma área restrita, duas equipes da Força Tática, de batalhões diferentes, tenham mantido contatos sucessivos com as mesmas pessoas e o mesmo veículo.
O procedimento eleitoral foi arquivado, mas uma cópia integral do processo foi enviada ao MP-SP. A coligação Desperta São Paulo, de Haddad, que entrou com a ação na Justiça Eleitoral, poderá recorrer da decisão em dez dias.
Parecer técnico
O parecer foi elaborado pelos peritos judiciais Paulo Cesar Breim e Washington de Almeida Jr., a pedido de Haddad, e analisou vídeos que integram o inquérito policial. O documento informa que a conclusão é “positiva para a versão apresentada pelo motorista”.
Segundo a análise, uma câmera registrou uma viatura entrando na Rua Joinville às 22h24 e estacionando. Às 22h25, aparece um agente policial ao lado de um veículo com uma lanterna ligada. Caseri deixou o local às 22h26.
Os peritos identificaram uma diferença entre os registros de duas câmeras, mas concluíram que as imagens são compatíveis com a parada da viatura em um ponto fora do campo de visão de uma delas. A presença de um policial caminhando pela rua também foi considerada na análise. A conclusão do parecer afirma que os deslocamentos e as movimentações registrados correspondem à narrativa do motorista.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira(31), Haddad afirmou que não fez acusações desde o início do caso e que buscou esclarecer o episódio. “Desde o começo desse episódio, não acusei ninguém, pressupus boa-fé”, disse. Ele destacou que o arquivamento ocorreu apenas na esfera eleitoral.
O inquérito policial, instaurado de ofício, continua em andamento. Segundo a equipe que acompanha o motorista Caseri, o parecer técnico foi anexado aos autos e novas diligências foram solicitadas. Caberá ao delegado responsável analisar os pedidos e concluir a investigação.
Segundo Haddad, Caseri é microempresário do ramo de transporte de passageiros e traslados e não possui vínculo partidário.
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