SEGURANÇA PÚBLICA

Fiesp aponta impactos da Segurança Pública na economia e nos investimentos

Congresso realizado nesta segunda(31) debateu pesquisas que mostram efeitos do crime sobre famílias, indústrias e mercado de trabalho

Fiesp aponta impactos da Segurança Pública na economia e nos investimentos
Presidente da Fiesp, Paulo Skaf, durante abertura do Congresso de Segurança Pública Crédito: Ayrton Vignola/Fiesp

A criminalidade tem impacto direto sobre a atividade econômica, com reflexos nas decisões de investimento das empresas, no orçamento das famílias e no mercado de trabalho. A conclusão faz parte de três pesquisas apresentadas nesta segunda-feira (31) durante o Congresso Fiesp de Segurança Pública, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, na avenida Paulista.

Os levantamentos analisaram a percepção da população brasileira, de empresas da indústria de transformação paulista e de pessoas privadas de liberdade em unidades prisionais do estado. Na abertura do encontro, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, afirmou que a segurança pública influencia investimentos, turismo, consumo, emprego e trabalho.

Na pesquisa nacional, foram ouvidas 2.411 pessoas de 658 municípios das 27 unidades da Federação. Segundo o levantamento, 84% afirmaram que a insegurança gera gastos para o orçamento familiar. Uma em cada quatro pessoas declarou já ter recusado uma oportunidade de trabalho por medo da violência.

O crime organizado também interfere nas atividades profissionais. Entre os entrevistados, 60% disseram enfrentar dificuldades no trabalho devido à presença de facções, milícias ou outros grupos criminosos. Além disso, 51% já desistiram de alguma compra por medo de golpes relacionados ao mercado ilegal.

Empresas reduzem investimentos

Outro levantamento ouviu 285 empresas da indústria de transformação do estado de São Paulo. Quatro em cada dez informaram ter sido vítimas de algum crime no último ano. Os crimes virtuais dobraram desde 2023 e atingem quase uma em cada cinco indústrias pesquisadas.

Uma em cada quatro empresas afirmou ter deixado de investir ou ampliar seus negócios por causa da violência. Segundo a pesquisa, 98% gastam com segurança privada, seguros ou sistemas de monitoramento. Entre as empresas vítimas de crimes, quase 20% registraram perdas superiores a 1% do faturamento anual.

O terceiro estudo, elaborado pelo economista Pery Francisco Assis Shikida, ouviu 389 pessoas privadas de liberdade em presídios paulistas. Apenas 6,2% disseram ter cometido crimes com retorno financeiro por necessidade. Quase sete em cada dez relataram a existência de regras impostas pelo crime em seus bairros.

Entre os entrevistados, 62,5% consideram que o sistema penal deve priorizar a reinserção social e a mudança de comportamento, enquanto 20,9% defendem como principal função a punição e a dissuasão. Para 70,4%, porém, o sistema prisional não cumpre plenamente essas funções.