Um em cada quatro consumidores paulistas afirma já ter se endividado para comprar produtos ou contratar serviços relacionados ao inverno. O dado faz parte da pesquisa "Hábitos de Consumo e Lazer no Inverno 2026", realizada pelo Procon-SP com 556 participantes, e mostra que 25% dos entrevistados recorreram ao orçamento para atender despesas típicas da estação.
O levantamento aponta que roupas e agasalhos continuam sendo os itens mais procurados no inverno. Dos entrevistados, 427 disseram comprar peças específicas para a estação. Em seguida aparecem alimentos e bebidas típicos, como sopas, fondue e chás, citados por 334 pessoas. Medicamentos e vacinas foram mencionados por 185 participantes, enquanto restaurantes e buffets de inverno receberam 84 citações.
Embora os gastos com produtos de inverno façam parte da rotina dos consumidores, a pesquisa indica participação menor em atividades de lazer. Apenas 28,78% afirmaram frequentar festas e eventos típicos da estação. Entre eles, predominam as festas juninas, julinas e quermesses, realizadas principalmente em igrejas e centros religiosos.
As viagens também aparecem com baixa participação. Somente 14,57% dos entrevistados disseram viajar durante o inverno. Entre os que viajam, o interior paulista é o destino mais citado, e o carro próprio é o principal meio de transporte, utilizado por 76,54%. Antes de viajar, 95,06% afirmaram pesquisar preços.
A pesquisa também investigou problemas enfrentados por consumidores em festas e eventos de inverno. Entre os participantes desse tipo de atividade, 6,88% relataram alguma ocorrência. As principais foram exigência de consumação mínima, falta de informação sobre cobrança de couvert artístico e ausência de informações sobre cardápio ou tabela de preços na entrada dos estabelecimentos.
Outro ponto analisado foi o consumo de alimentos típicos da estação. Entre os entrevistados, 68,17% disseram comprar esses produtos e, desse grupo, 61,74% verificam as embalagens antes da compra. A validade, a composição nutricional e as instruções de preparo e conservação são as informações mais consultadas. Os supermercados concentram a maior parte dessas compras, seguidos por festas, quermesses e feiras livres.
Na comparação com 2025, a pesquisa registrou redução na participação em festas de inverno, de 36,10% para 28,78%, e no percentual de consumidores que viajam na estação, de 17,56% para 14,57%. Também caiu a parcela dos que compram alimentos típicos do inverno, de 72,44% para 68,17%. Em contrapartida, aumentou o percentual de consumidores que pesquisam preços antes das viagens, passando de 91,67% para 95,06%.
"Os resultados da pesquisa podem indicar que parte dos consumidores enfrenta alguma dificuldade financeira. O endividamento relacionado às compras de inverno - abordado por 25% dos respondentes -, somado ao menor percentual de quem informa frequentar eventos ou viajar, sugere que algumas despesas podem estar sendo adiadas ou reduzidas. Esse cenário também pode refletir uma maior cautela na destinação do orçamento familiar." - aponta o Procon.
O perfil da amostra é composto majoritariamente por mulheres (70,5%), pessoas entre 26 e 50 anos, consumidores com renda de até quatro salários mínimos e moradores da capital paulista.
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