Correio da Manhã
VIOLÊNCIA CONTRA MULHER

Violência contra mulheres cresce e aplicativo amplia canais de proteção em SP

Ferramenta reúne registro de ocorrência, pedido de medida protetiva, botão do pânico e acesso à rede de atendimento para vítimas de violência doméstica e familiar.

Violência contra mulheres cresce e aplicativo amplia canais de proteção em SP
Além do aplicativo, o estado conta com 142 Delegacias de Defesa da Mulher, das quais 18 funcionam 24 horas por dia. Crédito: Ilustração / Imagem gerada por IA

Os registros de violência contra a mulher continuam em alta no estado de São Paulo. Embora os casos de feminicídio tenham apresentado queda em maio de 2026, outros indicadores de violência doméstica cresceram no acumulado do ano, reforçando a necessidade de ampliar os mecanismos de proteção às vítimas e facilitar o acesso aos serviços de atendimento.

Dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP) mostram que São Paulo registrou 124 feminicídios entre janeiro e maio de 2026, ante 107 no mesmo período de 2025. Apenas em maio foram contabilizados 18 casos, contra 26 no mesmo mês do ano anterior. Na Grande São Paulo, levantamento baseado nas estatísticas da SSP aponta aumento de diferentes crimes contra mulheres nos cinco primeiros meses do ano, entre eles lesão corporal dolosa, ameaça, estupro, violência psicológica e descumprimento de medida protetiva.

Nesse cenário, o Governo de São Paulo mantém o aplicativo SP Mulher Segura como uma das ferramentas de acesso aos serviços da rede de proteção. A plataforma reúne, em um único ambiente, o registro de boletim de ocorrência, o pedido de medida protetiva de urgência, o botão do pânico para mulheres protegidas por decisão judicial e a localização de serviços especializados de atendimento.

O aplicativo pode ser baixado gratuitamente para aparelhos Android e iOS. O acesso é realizado com a conta gov.br. Após o primeiro login, a usuária deve conferir dados como telefone, e-mail, CPF e endereço, além de autorizar o compartilhamento da localização do aparelho para utilizar os recursos que dependem de georreferenciamento.

Uma das principais funcionalidades é o registro de boletim de ocorrência diretamente pelo celular, disponível durante 24 horas por dia. Após o preenchimento das informações e o envio dos dados, o registro recebe um número de identificação e segue para análise da Polícia Civil. Durante esse procedimento também é possível solicitar medida protetiva de urgência, que será encaminhada ao Poder Judiciário para decisão. As informações oficiais não indicam que o aplicativo permita consultar integralmente boletins registrados anteriormente, apenas o registro de novas ocorrências.

Outro recurso é o botão do pânico, disponível apenas para mulheres que possuem medida protetiva vigente. Quando acionado, o sistema gera uma ocorrência para o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) e envia a localização do celular para facilitar o atendimento da equipe policial. Nos casos em que o agressor é monitorado por tornozeleira eletrônica, o sistema também pode cruzar as informações de localização, conforme determinação judicial.

Desde maio de 2026, o aplicativo passou a oferecer novas funcionalidades. A primeira é o cadastro de um contato de emergência, permitindo que familiares ou pessoas de confiança integrem a rede de apoio da vítima. Após o atendimento da ocorrência, a equipe da Cabine Lilás pode acionar esse contato para auxiliar no acolhimento.

Outra novidade é o mapa integrado da rede de proteção, que identifica os serviços mais próximos da usuária, entre eles Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs), delegacias territoriais, batalhões da Polícia Militar, unidades do Instituto Médico Legal (IML) e outros equipamentos públicos. O aplicativo também direciona para canais da Defensoria Pública, do Ministério Público, do Portal da Mulher Paulista e do Protocolo Não se Cale, que oferecem orientações sobre direitos e acesso aos serviços de assistência.

Além do aplicativo, o estado conta com 142 Delegacias de Defesa da Mulher, das quais 18 funcionam 24 horas por dia. As vítimas também podem registrar ocorrências pela Delegacia Eletrônica e solicitar medidas protetivas pela internet. Em situações de violência em andamento ou de risco imediato, a orientação permanece sendo acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.