Correio da Manhã
Operação Infiltrados

Operação prende policial e ex‑servidores suspeitos de ligação com o PCC em SP

Investigação aponta vazamento de informações sigilosas, plano contra promotor do Gaeco e esquema de extorsão

Operação prende policial e ex‑servidores suspeitos de ligação com o PCC em SP
A ação também cumpriu dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista Crédito: Divulgação

Uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) prendeu, nesta terça-feira (9), um chefe de investigadores da Polícia Civil, um ex-policial civil e um advogado que atuou como estagiário do próprio Ministério Público. Os três são suspeitos de integrar um esquema de infiltração ligado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ação, denominada Operação Infiltrados, também cumpriu dez mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior paulista. Entre os alvos está um policial penal.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), as investigações apontam que os suspeitos teriam participado do repasse de informações sigilosas a integrantes da facção, além de envolvimento em um esquema de extorsão contra investigados e em um plano para assassinar um promotor de Justiça.

Segundo o MP, o chefe de investigadores preso atuava na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas quando foram realizadas apurações sobre uma suposta tentativa de atentado contra um promotor do Gaeco e sobre um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico de drogas.

As investigações indicam que, uma semana antes da deflagração da Operação Pronta Resposta, realizada em agosto do ano passado, um dos principais suspeitos de coordenar o plano para matar o promotor se reuniu com o policial civil. Durante a análise de materiais apreendidos, foram encontrados vídeos que registrariam o encontro entre os investigados.

O Gaeco apura se informações privilegiadas sobre a operação foram repassadas ao grupo criminoso, o que poderia ter comprometido parte das investigações.

Outro foco da apuração envolve um esquema de extorsão que teria sido praticado por um então estagiário do Ministério Público de Campinas. Conforme os investigadores, ele teria utilizado o acesso a sistemas internos e bancos de dados para identificar integrantes de organizações criminosas com elevado poder econômico e exigir dinheiro em troca de suposta proteção contra investigações.

O Ministério Público suspeita que o estagiário tenha se infiltrado propositalmente em uma promotoria criminal para obter acesso a informações sigilosas. As investigações apontam que ele contava com o auxílio de outros agentes públicos, entre eles o ex-policial civil e o policial penal que também são alvos da operação.

Segundo o MP, o ex-policial civil já havia sido expulso da corporação anos atrás após condenação relacionada ao crime de extorsão mediante sequestro.

As apurações ganharam força após a análise do celular do empresário Maurício Silveira Zambaldi, conhecido como “Dragão”, preso em 2025 por suspeita de participação no plano para matar o promotor do Gaeco. No aparelho, investigadores encontraram mensagens cobrando R$ 500 mil para que informações sobre suas atividades não fossem repassadas ao Ministério Público.

Inicialmente, o autor das mensagens alegava estar em Balneário Camboriú, em Santa Catarina. No entanto, segundo o Gaeco, a investigação identificou que se tratava do então estagiário do MP, que acessava processos relacionados à organização criminosa e a outros possíveis alvos de extorsão.

Até o momento, não há confirmação de que algum investigado tenha efetuado pagamentos em troca das supostas vantagens oferecidas. A operação busca reunir novas provas para esclarecer a extensão do esquema e a participação de cada suspeito.

A Operação Infiltrados é um desdobramento das operações Pronta Resposta, que investigou uma organização criminosa suspeita de planejar um atentado contra um promotor do Gaeco, e Off White, realizada em outubro de 2025 para apurar um esquema de lavagem de dinheiro ligado a traficantes apontados entre os mais procurados do país.