Correio da Manhã
VACINA DENGUE

Vacina do Butantan contra dengue é suspensa após investigação de casos graves em imunizados

Ministério da Saúde decidiu suspender o imunizante após registros de 42 eventos com sinais de alarme, incluindo três casos graves e duas mortes sob investigação

Vacina do Butantan contra dengue é suspensa após investigação de casos graves em imunizados
Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacina do Butantan Crédito: Divulgação/Instituto Butantan

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada após a identificação de eventos adversos graves registrados durante a campanha de imunização, iniciada neste ano com foco em profissionais de saúde.

O anúncio foi feito em coletiva de imprensa com representantes do Ministério da Saúde, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan. Segundo o governo federal, cerca de 500 mil doses já haviam sido aplicadas em todo o país.

De acordo com o Ministério da Saúde, entre janeiro e 30 de maio de 2026 foram registradas 3.703 notificações de eventos inesperados com sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% do total de vacinados. Entre esses registros, 42 casos apresentaram sinais de alarme, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. Esses episódios corresponderam a 0,008% do total de pessoas imunizadas.

Dos 42 casos com sinais de alarme, três foram considerados graves. O primeiro envolveu uma mulher de 39 anos que apresentou febre, dores musculares e náuseas seis dias após receber a vacina. Ela evoluiu para um quadro de dengue grave com choque, precisou ser internada em unidade de terapia intensiva e se recuperou.

Os outros dois casos resultaram em mortes. Uma mulher de 48 anos desenvolveu sintomas de dengue grave 19 dias após a vacinação. O quadro incluiu comprometimento neurológico, com meningoencefalite, e a paciente morreu. O terceiro caso envolveu um homem de 58 anos que apresentou febre cinco dias após receber a dose e evoluiu para dengue grave com choque refratário, também vindo a óbito.

Apesar dos registros, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre a vacina e os eventos graves observados. Segundo ele, as investigações realizadas pelos sistemas municipais e estaduais de vigilância continuam em andamento.

O ministério informou que os casos identificados chamaram a atenção por apresentarem características que não haviam sido observadas nos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante. A vacina foi testada em cerca de 16 mil voluntários, acompanhados por cinco anos, estudo que embasou sua autorização para uso.

Em nota, o Instituto Butantan afirmou que manterá seu compromisso com a ciência e a saúde da população e continuará apoiando o Ministério da Saúde e a Anvisa durante a investigação. A instituição informou que fornecerá todos os dados disponíveis sobre a vacina, realizará novos estudos e seguirá acompanhando as ações de farmacovigilância entre os vacinados.

Segundo o instituto, a suspensão temporária foi adotada de forma preventiva após a identificação de alguns casos de reações adversas, incluindo três ocorrências com sinal de gravidade entre aproximadamente 500 mil pessoas imunizadas. O Butantan ressaltou que ainda não é possível afirmar se os episódios estão relacionados à vacinação.

A instituição informou ainda que continuará aprofundando as análises sobre o imunizante e que, caso sua segurança seja confirmada pelas investigações em andamento, a vacinação poderá ser retomada. O instituto reafirmou o compromisso de desenvolver e fornecer produtos para o enfrentamento de problemas de saúde pública por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Anvisa informou que notificou o Butantan e deverá convocar um comitê de especialistas para conduzir a investigação epidemiológica dos casos. O trabalho será realizado em conjunto pela agência reguladora, pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e pelo instituto responsável pelo desenvolvimento da vacina.

Enquanto durar a investigação, estados e municípios deverão interromper a aplicação do imunizante. O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias observem possíveis sintomas, como febre, dor abdominal e vômitos persistentes, e procurem atendimento médico caso necessário. Segundo a pasta, a suspensão tem caráter preventivo e poderá ser revista após a conclusão das análises