O Rio Branco de Americana corre o risco de deixar o futebol profissional em 2027 caso não feche uma parceria para disputar o Campeonato Paulista. Em recuperação judicial desde 2023, o clube negocia acordo com a empresa que administra o futebol do Sertãozinho. A proposta prevê ceder temporariamente nome, escudo e uniformes para que o parceiro dispute a Série A-2 em Americana. Ainda não há contrato definitivo, e o acordo segue em negociação.
A direção afirma que não consegue bancar outra temporada na Série A-3 sem comprometer a recuperação judicial. Em manifestação à Justiça, projetou receitas de até R$ 480 mil e despesas de R$ 1,8 milhão para 2027. O processo listava 41 credores e dívidas de R$ 6,6 milhões.
Credores questionam transferências da conta do clube para a Manager, empresa que tem como sócio o presidente Cláudio Bonaldo. Em dezembro de 2024, após o Grêmio depositar R$ 1,2 milhão, três repasses que somavam o mesmo valor foram feitos à empresa. O Ministério Público requisitou à Polícia Civil investigação preliminar sobre eventual prática de atos fraudulentos na recuperação judicial. Até a publicação do ge, não havia inquérito instaurado, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O Rio Branco nega irregularidades e afirma que centralizou receitas e despesas na Manager.
A crise também envolve o pagamento pela venda do lateral Vanderson, revelado em Americana e hoje no Monaco, convocado para a Seleção Brasileira. O Rio Branco detinha 30% dos direitos econômicos quando o Grêmio o negociou por 11 milhões de euros. Em junho, a Câmara Nacional de Resolução de Disputas condenou o clube gaúcho a pagar R$ 1,9 milhão ao time paulista, mas o valor poderá ser parcelado em até 60 meses.
A Justiça autorizou as conversas com o Sertãozinho, mas ressaltou que a parceria não tem aprovação antecipada e depende de análise. O administrador judicial apoiou a proposta com ressalvas e pediu o contrato para avaliação. Os clubes devem entregar documentos de licenciamento das séries A-2 e A-3 até segunda-feira (19). Outra alternativa é disputar a A-3 com jogadores da base para evitar a desfiliação.
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