Região de Campinas

PF indicia 16 por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas

Investigação criminal aponta falhas operacionais e cultura de omissão

PF indicia 16 por queda de avião da Voepass que matou 62 pessoas
Acidente ocorreu em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, e deixou 62 mortos Crédito: Reprodução/SSP

A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo, e indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da companhia pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo. O relatório, apresentado nesta quinta-feira (6), aponta que o acidente foi resultado de uma combinação de falhas operacionais, problemas no sistema de degelo da aeronave e falhas na execução de procedimentos pelos pilotos.

Entre os indiciados estão profissionais ligados à operação, manutenção e gestão da empresa, além do proprietário da Voepass, José Luiz Felício, e do então diretor de manutenção, Eric Cônsoli. O inquérito será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre eventual denúncia.

O relatório foi apresentado pelo superintendente regional da Polícia Federal em São Paulo, Rodrigo Sanfurgo, pelo delegado e chefe da Delegacia da Polícia Federal em Campinas, André Ribeiro, e pelo diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), Carlos Eduardo Palhares.

Foram indiciados Edson Serra Martins, Luciano Alves de Macedo, Oderlino de Campos Figueiredo, John Major Viana, Marcos Hiroyuki Sato, Alex de Souza Leandro, William Schmidt Agatz, Juliano Flores Pacheco, Raphael Limongi de Figueiredo, Marcel Sarquis Moura, Tiago Passucci Morani, Carlos Alberto Costa, Eric Cônsoli, Rafael Gimenez Rodrigues, David da Costa Faria Neto e José Luiz Felício Filho.

Segundo a investigação, pilotos de um voo anterior já tinham conhecimento de falhas no sistema de degelo, mas a informação não foi registrada no livro técnico da aeronave, comprometendo a identificação do risco antes do acidente.

O relatório concluiu que a perda de controle da aeronave ocorreu em razão do acúmulo de gelo, da inoperância do sistema pneumático de degelo e da execução inadequada de procedimentos previstos pelo fabricante. Diferentemente da investigação do Cenipa, voltada à prevenção de novos acidentes, o inquérito da Polícia Federal busca apurar responsabilidades criminais pela tragédia. Agora, caberá ao MPF analisar o inquérito e decidir se oferecerá denúncia à Justiça contra os investigados.