Região de Sorocaba

MP arquiva investigação contra prefeito de São Roque

Caso envolve filha de Guto Issa e a compra de um imóvel

MP arquiva investigação contra prefeito de São Roque
Prefeito de São Roque (SP) Guto Issa Crédito: Rerodução

O Ministério Público de São Paulo decidiu arquivar o inquérito civil que apurava a compra de um imóvel de aproximadamente R$ 400 mil relacionado a Marina Villaça Issa de Araújo, filha do prefeito de São Roque, Guto Issa (PSD). A decisão, assinada pelo promotor Washington Luiz Rodrigues Alves, concluiu que os elementos reunidos durante a investigação não foram suficientes para comprovar falsificação de documentos, simulação do negócio, utilização de “laranja”, desvio de recursos públicos, enriquecimento ilícito ou prejuízo aos cofres municipais.

O arquivamento, entretanto, ainda não encerra definitivamente o caso. A promoção feita pela Promotoria será submetida ao Conselho Superior do Ministério Público, que poderá homologar a decisão ou entender que novas diligências são necessárias. Em procedimentos dessa natureza, a homologação não impede eventual reabertura da investigação caso surjam novos elementos.

A investigação ganhou repercussão a partir de informações divulgadas pelo colunista Paulo Cappelli, do Correio da Manhã. O caso envolvia um áudio atribuído à filha do prefeito, no qual ela fazia referências à origem do dinheiro utilizado na aquisição de um apartamento e mencionava a transferência de recursos diretamente para sua conta.

O episódio ganhou um capítulo relevante durante a própria apuração. Antes da investigação, Guto Issa havia contestado a autenticidade da gravação e sustentado que o material poderia ser um “deepfake”, apontando supostos sinais de edição e cortes. No entanto, em despacho que integra o procedimento, o próprio Ministério Público se referiu à gravação como um “áudio atribuído e confessado” por Marina Villaça Issa de Araújo, que figurava como investigada ao lado do pai.

A origem do dinheiro utilizado na compra também foi objeto de apuração. Segundo a versão apresentada pelos investigados, Guto Issa teria emprestado R$ 290 mil à filha para a aquisição do imóvel. A Promotoria solicitou documentos relacionados ao suposto contrato de mútuo, comprovação de amortização da dívida, documentos referentes ao pagamento do apartamento, origem dos recursos, escritura pública, matrícula do imóvel e declarações de Imposto de Renda.

Ao longo da investigação, o Ministério Público analisou contrato de mútuo, escritura, matrícula, declarações fiscais, comprovantes de transferências bancárias e depoimentos. Também foi determinada análise técnica do áudio para verificar eventual utilização de inteligência artificial ou edição da gravação.

A conclusão da Promotoria foi de que, mesmo diante do conjunto de documentos e informações reunidos, não havia elementos suficientes para sustentar a ocorrência de ato de improbidade administrativa ou de ilícito relacionado à compra do imóvel. O entendimento, portanto, foi pelo arquivamento.

Em nota ao Correio da Manhã, o prefeito de São Roque, Guto Issa, afirmou receber “com tranquilidade o arquivamento da denúncia feita por um membro do PSOL, baseada em um áudio editado de 2024.

Durante todo o tempo eu afirmei que a operação de compra e venda de imóveis era legal, o que foi confirmado pela perícia do MPSP no áudio e em todos os documentos apresentados, inclusive declarações de Imposto de Renda, minha e da minha filha.

A Justiça foi feita e a intenção política de prejudicar a minha imagem não foi bem sucedida. Política se faz com verdade e não com mentiras, a maldade não prevaleceu”.