São Roque

Filha de prefeito confessa autoria de áudio sobre imóvel de R$ 400 mil alvo de investigação do MP de São Paulo

Filha de prefeito confessa autoria de áudio sobre imóvel de R$ 400 mil alvo de investigação do MP de São Paulo
Prefeito de São Roque (SP), Guto Issa afirmou que áudio atríbuido à filha era falso Crédito: Rerodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirma que Marina Villaça Issa de Araújo, filha do prefeito de São Roque (SP), Guto Issa (PSD), confessou ser a autora de um áudio que integra uma investigação sobre suspeita de ocultação patrimonial. Na gravação, ela fala sobre a movimentação de recursos envolvendo a compra de um imóvel de R$ 400 mil.

O prefeito chegou a sustentar que o áudio seria um "deepfake". Em sua defesa, Issa afirmou que a gravação divulgada nas redes sociais apresentava sinais de manipulação e que, no trecho atribuído à filha, havia "elementos de montagem e cortes abruptos nas frases".

Em um despacho, contudo, o promotor Washington Luiz Rodrigues Alves se referiu expressamente à gravação como "áudio atribuído e confessado pela Sra. Marina Villaça Issa de Araújo, ora investigada".

O caso teve origem em uma denúncia apresentada ao MP. Segundo a representação, durante as eleições municipais de 2024 circulou nas redes sociais um áudio no qual Marina teria afirmado que o dinheiro relacionado à compra de um apartamento de R$ 400 mil foi transferido diretamente para sua conta, sem passar pela conta do pai.

"Esse dinheiro não veio da conta dele pra minha. Esse dinheiro veio da construtora que comprou o pedaço do sítio pra minha conta. [...] Como ele não queria que passasse pela conta dele, veio direto pra mim. Ou seja, ele me f*, né?", diz Marina na gravação atribuída a ela.

Ao instaurar o inquérito, a Promotoria de Justiça de São Roque passou a tratar Guto Issa e Marina como investigados e apontou a possibilidade, em tese, de prática de ato de improbidade administrativa.

Em dezembro de 2025, o MP determinou que o Centro de Apoio Operacional à Execução (CAEX) produzisse um parecer técnico para verificar se houve uso de inteligência artificial ou edição na gravação.

Além do áudio, o MP busca esclarecer a origem dos recursos usados na aquisição do imóvel. A Promotoria determinou que pai e filha apresentassem o suposto contrato de empréstimo, documentos que comprovassem sua amortização, provas do pagamento integral do apartamento e das fontes dos recursos, além da escritura pública e da matrícula do imóvel.

A versão apresentada pelos investigados é de que Marcos Issa emprestou R$ 290 mil à filha para a aquisição do apartamento. A defesa sustenta que a operação foi regular e nega a existência de ocultação patrimonial.

A análise técnica da gravação tinha conclusão estimada para 30 de abril de 2026. Em 5 de maio, porém, o processo registrou que o prazo havia transcorrido sem a entrega do parecer, e os autos foram encaminhados para nova análise da Promotoria.