Com uma trajetória singular na moda, teatro, performance e fotografia, Fause Haten realiza sua primeira exposição individual como artista visual. Em cartaz de 22 de agosto a 12 de setembro, na Fonte, em São Paulo, 'DITO! Aquilo que não foi', com curadoria de Daniel Rangel, reúne 28 obras produzidas em 2026 e marca um novo momento em uma pesquisa desenvolvida ao longo de décadas, na qual diferentes linguagens operam como campos de explosão de uma mesma necessidade expressiva.
Conhecido por sua longa relação com a construção de formas em tecido, Haten desenvolve em DITO! uma investigação que aproxima vestimenta, imagem e objeto. A série surge de uma reflexão sobre o tecido enquanto suporte e os limites entre pintura e forma. Se durante décadas sua produção transitou entre a criação de roupas e a prática pictórica, nesta exposição esses caminhos convergem. Vestidos, casacos e outras peças de vestuário deixam de cumprir sua função original para se tornar suporte, imagem e objeto escultórico, ativando narrativas que articulam memória, palavra e matéria.
As obras são atravessadas por frases curtas, pensamentos, confissões e afirmações que evocam aquilo que permaneceu silenciado ou não encontrou forma de ser dito. O título da mostra remete justamente a esse território de tensões entre palavra e ausência, fala e silêncio, memória e elaboração.
"Há coisas que precisam ser faladas. Coisas que não foram ditas e que em algum momento precisarão ser", afirma o artista. "Às vezes, tenho a sensação de que precisava ter falado algumas coisas na vida e não falei. DITO! é uma série que se propõe a isso", afirma Fause.
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