A movimentação da direita em Campinas para o segundo turno presidencial revela um movimento pragmático e bem calculado: a liderança da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) na metrópole não está sob a batuta dos quadros locais do próprio Partido Liberal, mas, sim, sob o comando direto do prefeito Dário Saadi (Republicanos).
Informações apuradas nos bastidores do primeiro escalão indicam que essa arquitetura política visa assegurar uma ponte direta e fluida com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e com o próprio candidato presidencial, consolidando o chefe do Executivo campineiro como o grande interlocutor.
Ao assumir a coordenação e o protagonismo do movimento, o Republicanos busca institucionalizar o palanque, blindando a campanha de eventuais disputas internas do PL local e fortalecendo as relações políticas com a cúpula estadual e nacional. Essa engenharia ficou evidente na articulação do encontro realizado na noite de terça-feira (20) que definiu o ato de mobilização a ser realizado no próximo sábado (25) às 10h no Centro de Convivência.
O encontro, encabeçado pelo Republicanos, contará com oito legendas partidárias, reunindo lideranças estaduais e municipais. A coalizão é formada pelo PP, PL, MDB, Podemos, União Brasil, PSD e Novo.
O objetivo principal é ampliar a margem de votos de Flávio Bolsonaro no município. No primeiro turno do pleito, o candidato do PL obteve 329.733 votos em Campinas: 52,07% da preferência do eleitorado local, contra 241.972 do rival petista, ou 38,21%. Entretanto, a abstenção foi expressiva, de 205.914 eleitores ausentes - e são justamente esses votos que a mobilização pretende cooptar.
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