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Uso de honrarias na Câmara de Campinas opõe mérito esportivo e boteco privado

Uso de honrarias na Câmara de Campinas opõe mérito esportivo e boteco privado
Iniciativa de homenagear o boteco é do vereador Arnaldo Salvetti (MDB) Crédito: Câmara Municipal de Campinas

As honrarias concedidas pela Câmara Municipal de Campinas têm como objetivo reconhecer e prestigiar pessoas, instituições e serviços relevantes prestados ao município. No entanto, a conduta dos legisladores demonstra dois caminhos opostos quanto à relevância das homenagens propostas: as legítimas e as oportunistas.


Contraste

Enquanto o vereador Paulo Haddad (PSD) propôs o título de Cidadão Campineiro ao levantador Bruninho e ao técnico Horacio Dileo, que levam o nome de Campinas pelo mundo, por meio de vitórias consecutivas no vôlei, o vereador Arnaldo Salvetti (MDB) concede o Diploma de Mérito Gastronômico ao Buteco do Fortão.


Ordinário

O boteco, como tantos outros do gênero, nasceu do simples encontro de amigos para tomar uma cerveja e petiscar, e, por mais que o estabelecimento tenha prosperado depois da pandemia, não traz nenhuma contribuição relevante à cidade, a não ser tratamento vip aos que propuseram a homenagem, para vergonha de Campinas.


Banalidade

As escolhas dos parlamentares refletem os critérios morais adotados na gestão do interesse coletivo. A entrega de títulos na Casa de Leis exige sobriedade e alcance comunitário comprovado. A comparação expõe a degradação da função pública quando o interesse geral cede espaço a interesses privados, incluindo os eleitoreiros.

Irrelevância

O fato é que o Buteco do Fortão é semelhante a dezenas de outros bares de Campinas. Não se trata de um Giovanetti no Rosário, de um Pinguim em Ribeirão Preto e muito menos de um Bar Brahma em São Paulo - estabelecimentos nacionalmente conhecidos. Só é relevante aos proprietários, frequentadores e ao curral eleitoral que o representa.


Festa da Melancia

É preciso que a Câmara tenha mais responsabilidade em aprovar este tipo de homenagem. É preciso ter coerência em relação ao objetivo das premiações, garantindo que o espaço público preserve de devida relevância. Afinal, a honraria deve valorizar o mérito, e não banalizar o papel da legislação municipal.