Campinas

Mobilização popular reúne dezenas e reforça resistência a mega data center em Campinas

Assembleia realizada no último sábado (19) reuniu mais de 100 pessoas após o Ministério Público abrir inquérito civil para investigar impactos ambientais e sociais do empreendimento em Barão Geraldo

Mobilização popular reúne dezenas e reforça resistência a mega data center em Campinas
Assembleia realizada no último sábado (19) reuniu mais de 100 pessoas após o Ministério Público abrir inquérito civil para investigar impactos ambientais e sociais do empreendimento em Barão Geraldo Crédito: Divulgação/Mariana Conti

A mobilização popular contra a instalação de um mega data center de inteligência artificial em Campinas ganhou novos contornos no último sábado (19). Mais de uma centena de moradores, ativistas e lideranças políticas se reuniram às 10h no Teatro Barracão para estruturar a resistência comunitária ao projeto de R$ 5 bilhões (que pode chegar a R$ 20 bilhões) previsto para a Fazenda Pau D’Alho, em Barão Geraldo.

A reunião ocorreu logo após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurar inquérito civil para apurar os riscos ambientais, urbanísticos e patrimoniais do empreendimento.

A vereadora Mariana Conti (PSOL) destacou a expressiva participação popular no encontro e reforçou a determinação dos moradores em exigir transparência e participação nas decisões sobre o território.

“Mais de 100 pessoas se reuniram na nossa assembleia para debater a instalação do mega data center em Barão Geraldo e entender quais poderão ser seus impactos. A comunidade não vai permitir que um empreendimento desse tamanho seja realizado no território sem participação popular e sem que o poder público apresente estudos detalhados sobre os efeitos ambientais, sociais e até históricos, considerando que a Fazenda Pau D'Alho é um patrimônio tombado. A mobilização vai seguir porque a população não quer que seu território seja quintal de data centers!”, afirmou Mariana Conti, que é candidata a deputada estadual.

A abertura das investigações pelo MPSP também foi celebrada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL), que atuou em conjunto com o mandado local na provocação ao órgão fiscalizador.

“O Brasil não é quintal das Big Techs! Atendendo a uma ação minha e da Mariana Conti, o Ministério Público abriu um inquérito para investigar um possível conluio para driblar as regras ambientais na instalação de um Datacenter em Campinas. Essa é uma vitória importante, que dá ainda mais gás para combatermos esse absurdo”, comemorou Sâmia Bomfim, que é candidatas à reeleição este ano.

A ofensiva jurídica e política contra o fracionamento do licenciamento e os riscos de escassez hídrica na Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) conta ainda com o apoio direto do vereador Gustavo Petta (PCdoB) e do deputado federal Orlando Silva (PCdoB), coautores das representações encaminhadas ao MPSP. "Acionamos o MP porque a chegada desse empreendimento traz riscos reais para a nossa cidade, como barulho constante, ameaça de racionamento e aumento nas contas de água e luz. É um verdadeiro latifúndio digital feito para armazenar dados de empresas estrangeiras sugando nossos recursos naturais, com isenção fiscal e em áreas de proteção ambiental, sem gerar empregos de qualidade para a população", disse Petta, que é candidato a deputado estadual. Silva também é candidato à reeleição. 

A discussão sobre o modelo de desenvolvimento tecnológico e a ganância corporativa também marcou os debates da assembleia. O vereador Wagner Romão (PT), que esteve presente no evento, questionou os limites ambientais da expansão da inteligência artificial e do armazenamento de dados.

“Até onde vai a nossa responsabilidade pela aceleração tecnológica envolvendo os dados em nuvem e a Inteligência Artificial? O problema não são os avanços tecnológicos. São as grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, que têm adotado uma expansão agressiva e predatória, destruindo comunidades e o meio ambiente. A 'nuvem' não é algo abstrato. Para a existência dela, são necessários cada vez mais data centers, estruturas que consomem um elevado volume de água e energia. Mas a culpa não é nossa! Não podemos responsabilizar a população pela ganância desenfreada das big techs e permissividade excessiva dos governantes que loteiam as cidades. Campinas não pode ser vítima de interesses puramente econômicos! É por isso que somos contra a instalação do Mega Data Center na cidade!”, declarou Wagner Romão.

A assembleia no Teatro Barracão também contou com a presença e apoio da vereadora Paolla Miguel (PT) e de Pedro Tourinho, presidente do PT Campinas e candidato a deputado federal, fortalecendo a frente parlamentar e comunitária que promete intensificar os atos e cobranças ao Poder Público nos próximos dias. O candidato a deputado federal e ativista humanitário brasileiro e coordenador internacional da Coalizão da Flotilha da Liberdade de Gaza, Thiago de Ávila (PSOL) também esteve na assembleia.

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Assembleia realizada no último sábado (19) reuniu mais de 100 pessoas após o Ministério Público abrir inquérito civil para investigar impactos ambientais e sociais do empreendimento em Barão Geraldo | Foto: Divulgação/Mariana Conti