Casada desde 1988 com Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, Ana Estela Haddad esteve em Campinas para liderar a Caravana das Mulheres com Lula e Haddad, caminhada em defesa dos direitos femininos. Em entrevista exclusiva ao Correio da Manhã, fez duras críticas e apontou a falta de prioridade no combate à violência e ao feminicídio por parte do governo paulista, citando cortes orçamentários e o fechamento de delegacias no período noturno.
Ana Estela criticou o fato de que as delegacias especializadas não permanecem abertas nos horários de maior incidência de crimes contra a mulher e questionou a demora na implementação de um aplicativo criado recentemente pelo estado, classificando a iniciativa como tardia. De acordo a assessoria do PT, a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ignorou a gravidade do cenário e reduziu em 54,4% os recursos destinados à Secretaria de Políticas para as Mulheres para o ano vigente.
Governo de SP
Em nota conjunta emitida pela Secretaria de Políticas Públicas para a Mulher e pela Secretaria de Segurança Pública, o Governo de São Paulo afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade da gestão e envolve a atuação integrada de diversas áreas. O governo destacou que, pela primeira vez na história, o Estado passou a contar, a partir de 2023, com uma Secretaria de Políticas para a Mulher atuando de forma transversal na coordenação de estratégias, autonomia financeira, capacitação e saúde, o que faz com que os recursos destinados ao setor estejam distribuídos entre diferentes pastas.
Orçamento e Execução Financeira
Para 2026, o orçamento previsto para a Secretaria da Mulher especificamente é de R$ 30,5 milhões, mais que o triplo dos R$ 9 milhões de 2024. Em pouco mais de um semestre de 2026, mais de R$ 19 milhões já haviam sido empenhados, valor próximo aos R$ 21 milhões executados em todo o ano de 2025.
As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) são custeadas pela ação de Polícia Judiciária, que conta com R$ 463,2 milhões previstos para 2026 (alta de quase 18% em relação a 2022).
O orçamento direcionado ao acolhimento de crianças, adolescentes, mulheres e idosos saltou de R$ 682 mil em 2023 para R$ 22,7 milhões previstos para 2026.
Expansão da Rede Policial e Atendimento
Através do movimento SP por Todas, o governo paulista informou ter realizado a maior expansão da rede especializada de atendimento às mulheres de sua história. A rede especializada de unidades policiais cresceu mais de 87%, passando de 202 para 379 unidades (entre DDMs e Salas DDM).
A maioria das unidades atende das 9h às 19h, havendo atualmente 35 unidades com funcionamento 24 horas no estado. Há também a opção de registro presencial e remoto de ocorrências. A rede conta com cerca de 1,6 mil agentes, tendo recebido o reforço de 774 policiais na atual gestão.
Tecnologia, Monitoramento e Proteção
Aplicativo SP Mulher Segura foi criado em 2024 e reúne em uma única plataforma o botão do pânico para mulheres com medida protetiva, registro de ocorrência e acesso à rede de apoio. O Estado conta com 1.250 tornozeleiras eletrônicas conectadas ao acompanhamento de medidas protetivas para identificar aproximações indevidas dos agressores.
A Patrulha SP Mulher Segura foi criada em 2026 para acompanhar mulheres com medidas protetivas e prevenir a reincidência da violência através de busca ativa.
A assessoria estadual destacou também a implantação das Cabines Lilás (com policiais femininas capacitadas), Espaços e Salas Lilás, além do Circuito Integrado de Proteção (unidades itinerantes em municípios com menor oferta de serviços).
Sobre acolhimento e autonomia financeira, a gestão estadual destacou o auxílio aluguel com R$ 27 milhões já foram destinados ao atendimento de 9,1 mil mulheres que precisaram deixar o ambiente de violência. As Casas da Mulher Paulista têm 21 unidades já entregues no estado, somando R$ 15,3 milhões em investimentos.
Desde 2023, foram viabilizados R$ 779,4 milhões em crédito e financiamento para negócios liderados por mulheres (via Banco do Povo, Desenvolve SP e FEAP Mulher Agro). O programa Qualifica SP capacitou 21,7 mil mulheres. Há também o Protocolo Não Se Cale, voltado ao combate do assédio e da violência em bares, restaurantes e casas noturnas, a iniciativa já qualificou 126 mil profissionais.
O governo paulista afirmou ainda que o conjunto dessas ações consolida uma política transversal e integrada, atuando desde a prevenção e atendimento policial até a responsabilização do agressor e a reconstrução da autonomia feminina.
Menu