Campinas

Hospital da PUC relata superlotação de 390% e acende alerta sobre pressão nos hospitais de Campinas

Hospital da PUC relata superlotação de 390% e acende alerta sobre pressão nos hospitais de Campinas
O Hospital PUC-Campinas informou em nota quer opera com 390% da capacidade Crédito: Hospital PUC-Campinas/Divulgação

Um comunicado divulgado pelo Hospital PUC-Campinas acendeu mais um alerta sobre a situação da rede hospitalar de Campinas. Em nota enviada à imprensa, o hospital informou que o Pronto-Socorro Adulto do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrenta um cenário de superlotação, operando com ocupação “390% acima da capacidade instalada”.

Segundo o hospital, atualmente há 18 pacientes que necessitam de cuidados intensivos e outros 47 acomodados em macas nos corredores da unidade. A instituição afirma que a situação é resultado da alta demanda por atendimento.

Diante do cenário, o Hospital PUC-Campinas informou que não possui condições seguras para receber novos encaminhamentos via SUS e solicitou à Regulação Municipal que avalie o direcionamento de pacientes para outras unidades de saúde “garantindo a continuidade e a segurança da assistência”.

Na nota, o hospital também pediu apoio da imprensa para orientar a população a buscar outras unidades da rede de saúde.

Após a divulgação do comunicado, a reportagem procurou outros hospitais públicos e redes de saúde da cidade para obter informações sobre a situação da ocupação hospitalar em Campinas. 

O Hospital PUC-Campinas já havia emitido um alerta semelhante há exatamente um mês. Na ocasião, a unidade informou que o pronto-socorro operava com lotação de 360% acima da capacidade instalada. Agora, segundo a nova nota enviada à imprensa, o índice chegou a 390%. O Correio da Manhã vem acompanhando a situação dos hospitais públicos de Campinas e o aumento da pressão sobre a rede de saúde do município.

A Rede Mário Gatti informou que as unidades municipais trabalham atualmente com ocupação entre 95% e 100%, mas afirmou que nenhum paciente que necessita de internação fica sem assistência.

Segundo a rede, os hospitais operam em sistema de “porta aberta”, recebendo pacientes continuamente. Em média, cerca de 30 pacientes recebem alta e outros 30 são internados diariamente em cada hospital municipal, o que gera alta rotatividade nos leitos.

A Prefeitura de Campinas informou que acompanha continuamente a ocupação hospitalar por meio da Central de Regulação, responsável pelo monitoramento de vagas e encaminhamento de pacientes entre unidades, conforme a complexidade e disponibilidade dos leitos.

De acordo com a administração municipal, Campinas é referência regional em urgência e emergência e recebe grande volume de pacientes de outras cidades da Região Metropolitana. Historicamente, entre 20% e 25% dos atendimentos do SUS municipal são destinados a moradores de outros municípios. Nas unidades conveniadas que possuem leitos neonatais, esse percentual pode chegar a 35%.

A Secretaria Municipal de Saúde também atribui parte da pressão sobre os hospitais ao aumento sazonal de doenças durante o período de queda das temperaturas. Segundo o município, cresce nesta época a procura por atendimento em casos de doenças respiratórias, infartos e acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Como medida para ampliar a capacidade de atendimento, a Prefeitura informou que a Secretaria de Estado da Saúde abriu um chamamento que poderá disponibilizar até 100 leitos SUS para Campinas. A rede hospitalar Hospital São Leopoldo Mandic informou que pretende protocolar interesse em aderir à parceria utilizando a estrutura instalada na Casa de Saúde.

O prefeito Dário Saadi pediu ao governo estadual urgência na ampliação dos leitos hospitalares para o município.

A Prefeitura também destacou que o Hospital Metropolitano será construído pelo Estado em área doada pelo município. O edital da licitação da obra foi lançado em abril pelo governo estadual.

Segundo a administração municipal, Campinas tinha 885 leitos disponíveis em 2021, considerando a rede própria e convênios com hospitais privados. Atualmente, o número supera mil vagas.

A reportagem também procurou o Hospital de Clínicas da Unicamp para comentar a situação da ocupação hospitalar na unidade. Até o momento, o hospital não enviou posicionamento. O espaço segue aberto para manifestação.

Macaque in the trees
O Hospital PUC-Campinas informou em nota quer opera com 390% da capacidade | Foto: Divulgação/Hospital da PUC Campinas