Correio da Manhã
Mototáxi

Nunes vai recorrer de decisão sobre Uber Moto em SP

Justiça deu 48 horas para prefeitura autorizar serviço na capital

Nunes vai recorrer de decisão sobre Uber Moto em SP
Nunes (MDB) afirmou que a Procuradoria-Geral do Município adotará as medidas judiciais cabíveis Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Prefeitura de São Paulo informou que vai recorrer da decisão da Justiça que determinou o credenciamento da Uber para operar o serviço de transporte de passageiros por motocicletas na capital paulista. A administração municipal recebeu prazo de 48 horas para cumprir a determinação, sob pena de multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. A decisão foi proferida pela juíza Patrícia Persicano Pires, da 16ª Vara da Fazenda Pública.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que a Procuradoria-Geral do Município adotará as medidas judiciais cabíveis para tentar reverter a decisão. Segundo ele, a administração considera que a autorização do serviço representa um risco à segurança viária e defende a manutenção das restrições atualmente impostas ao transporte remunerado de passageiros por motocicletas na cidade.

Ao comentar a decisão, Nunes criticou a medida judicial e declarou: "Querem uma carnificina." O prefeito afirmou que o aumento da circulação de motocicletas transportando passageiros pode ampliar o número de acidentes e vítimas no trânsito da capital.

Durante a defesa da posição da prefeitura, Nunes também citou dados sobre acidentes envolvendo motociclistas. Segundo o prefeito, mais da metade das vítimas de ocorrências de trânsito atendidas pela rede municipal de saúde está relacionada a acidentes com motos. Ele acrescentou que, no ano passado, 475 pessoas morreram em acidentes envolvendo esse tipo de veículo na cidade.

A administração municipal sustenta ainda que a Uber não teria atendido a todas as exigências previstas na regulamentação local para obtenção do credenciamento, entre elas a apresentação de documentação referente ao seguro de acidentes pessoais. Esse foi um dos argumentos utilizados pela prefeitura para impedir a operação do serviço na capital.

Na decisão, entretanto, a Justiça entendeu que os fundamentos apresentados pelo município não justificam a negativa ao credenciamento da plataforma. Com isso, determinou que a prefeitura autorize a operação do serviço no prazo estabelecido, mantendo a possibilidade de aplicação de multa diária caso a ordem judicial não seja cumprida. Ainda cabe recurso.

A disputa entre a Prefeitura de São Paulo e as plataformas de transporte por aplicativo em torno da operação do serviço de mototáxi se arrasta há meses e já resultou em diferentes decisões judiciais. O novo recurso da administração municipal deverá ser analisado pelas instâncias superiores do Tribunal de Justiça de São Paulo.