As dificuldades enfrentadas no acesso à educação pela comunidade indígena do Morro, localizada no Município de Uiramutã, levaram o Ministério Público de Roraima a realizar, na última semana uma escuta com os moradores da região.
Participaram do encontro o Promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial de Vítimas, Minorias e Direitos Humanos (GAEVI-MDH), André Paulo Pereira e a Secretária Adjunta da Educação Escolar Indígena, Jane Moreira. Na ocasião, ouviram as reivindicações dos professores, gestores, alunos e lideranças indígenas, que relataram as dificuldades enfrentadas pelas comunidades locais. Foram apontados problemas como: falta de professores, superlotação, estrutura precária das unidades de ensino, dificuldades de acesso às escolas e falta de energia. A Comunidade do Morro atende a outras oito comunidades no entorno com mais de 200 famílias.
A Professora Crislayne Moreira, 28 anos, lamenta que as dificuldades atrasem o processo de ensino e aprendizagem. "Alguns alunos de outras comunidades deixam de vir à aula em razão do difícil acesso e quando conseguem são liberados por falta de energia", lamenta.
Atualmente, os próprios moradores, por meio da Associação de Pais e Mestres, tentam levantar recursos para construção de uma outra escola na comunidade.
Convite da comunidade
Segundo o Promotor de Justiça, a visita ocorreu após convite da comunidade e teve como objetivo conhecer de perto a realidade local, ouvir as demandas do povo indígena e buscar soluções em conjunto com os órgãos públicos. A agenda também incluiu a avaliação das condições da área destinada à futura unidade de ensino.
"Realizamos a escuta da comunidade, cuja principal demanda é a construção de uma escola. Também estamos priorizando o diálogo interinstitucional com a SEED para que nossos estudantes indígenas tenham escolas com infraestrutura digna", destacou.
A secretária Adjunta de Educação Indígena acrescentou que a reivindicação é antiga. "Conseguimos solucionar algumas demandas pontuais, porém, a construção da escola é uma prioridade e vamos conseguir avançar", concluiu.
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