Correio da Manhã
Norte

Amazonas pesquisa combustível para aviões e navios

Gordura industrial também rende material para pavimentação

Amazonas pesquisa combustível para aviões e navios
Já foram produzidas frações de biogasolina e bioquerosene Crédito: UFAM

Diariamente, as indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM) e os restaurantes da cidade produzem aproximadamente 20 toneladas de resíduos de caixa de gordura. Esse material é recolhido e enviado a uma empresa responsável pelo descarte adequado desses rejeitos. O que para muitos seria algo sem valor, para um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) é ouro, ou melhor: é biocombustível.

O projeto desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Tecnologias Biossustentáveis da Amazônia (GP-TECBIOAM) já produziu em laboratório frações de biogasolina, bioquerosene, diesel verde e até um combustível equivalente ao bunker usado em navios. A matéria-prima é a gordura coletada nas caixas de gordura do polo industrial, um resíduo que hoje termina, em grande parte, em incineradores.

O responsável pela pesquisa é o professor Douglas Alberto Rocha de Castro, doutor em Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e docente do Departamento de Engenharia Química da Faculdade de Tecnologia da Ufam desde 2024. Ele também integra os programas de pós-graduação em Engenharia Civil e em Engenharia Mecânica da Universidade.

De resíduo a bio-óleo

O ponto de partida é a gordura bruta recolhida de caixas separadoras de empresas do polo, de restaurantes da cidade e até de shoppings centers. Antes de entrar no reator, o material passa por um pré-tratamento para retirar água, areia e, principalmente, os saponificáveis, substâncias que formam sabão e que, nos testes iniciais, faziam a gordura se expandir dentro do equipamento e comprometer o desempenho do catalisador.

"A gente realiza o processo de desaponificação da gordura, retira os sabões solúveis, faz lavagens com água para tirar o excesso de ácido e aí insere ela no reator de craqueamento", explica o professor Castro.

Dentro do reator, ocorre o craqueamento termocatalítico: a gordura é aquecida até que suas as cadeias de carbono sejam quebradas em fragmentos menores. Esse processo de quebra molecular é o que transforma um material com baixo poder calorífico em compostos semelhantes aos derivados do petróleo.