Nordeste

El Niño eleva risco de seca grave no Nordeste

Fenômeno tem 95% de probabilidade de atingir intensidade forte

El Niño eleva risco de seca grave no Nordeste
Intensificação do El Niño deve provocar estiagem intensa no Nordeste Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O El Niño deve alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro, com mais de 95% de probabilidade, segundo a 4ª edição do Painel El Niño 2026-2027. O fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. Para o Nordeste, a previsão indica menor disponibilidade de chuva em parte da região, enquanto o leste nordestino tem maior chance de volumes acima da média.

Os dados de agosto mostram que 16% do Nordeste estava sob seca grave, o maior percentual entre as regiões brasileiras. Para o último trimestre do ano, o painel aponta chuva abaixo da média em áreas nordestinas e temperaturas acima do normal em praticamente todo o país.

A projeção não é uniforme. O leste do Nordeste aparece entre as áreas com maior probabilidade de chuva acima da média. Já outras partes da região devem receber volumes inferiores ao padrão esperado. O contraste exige acompanhamento das condições meteorológicas e dos recursos hídricos.

O cenário também pode afetar a agricultura. A menor disponibilidade de água no solo no centro-norte pode interferir na germinação e no estabelecimento da soja da safra 2026/27. Pastagens e oferta de água para rebanhos também podem ser prejudicadas em áreas com déficit hídrico.

O Painel El Niño 2026-2027 reúne dados de 7 instituições federais: Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, Serviço Geológico do Brasil, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.

No Norte, Roraima, Acre e Amazonas registraram agravamento da seca em agosto. No Sul, os 3 estados estavam livres de seca no mesmo mês, mas as chuvas de setembro elevaram os níveis dos rios e causaram inundações em pontos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. O SGB emitiu mais de 190 boletins de alerta hidrológico em 2026.

O painel também acompanha o risco de fogo. Embora julho e agosto tenham registrado atividade abaixo da média, houve crescimento das ocorrências entre julho e setembro.