Depois de dez anos entre encontros e desencontros de agendas, o projeto que deu origem ao Sem Osso finalmente chega aos palcos de Brasília. O solo de dança contemporânea, interpretado pela bailarina, atriz e professora Lívia Bennet e dirigido por Édi Oliveira, terá seis apresentações entre os dias 7 e 12 de outubro, no Teatro Engrenagem, na 708 Norte. A obra - que faz parte do projeto MECÂNICORGANICO - parte do corpo como matéria central da cena para investigar seus limites, vulnerabilidades e possibilidades de existência diante de uma contemporaneidade cada vez mais atravessada pela tecnologia. Os ingressos já podem ser retirados pelo Sympla.
Inicialmente concebido a partir da tensão entre corpo e novas tecnologias, o espetáculo tomou outro caminho durante seu processo de criação. Projeções, vídeos e outros aparatos tecnológicos foram deixados de lado para que o corpo da intérprete ocupasse sozinho o centro da experiência. O resultado é uma criação minimalista, em que órgãos, membros, sensações, desejos, quedas e movimentos são utilizados como elementos para questionar as formas convencionais. A obra dialoga com conceitos filosóficos como o de corpo sem órgãos e propõe também a ideia de um corpo sem osso: um corpo capaz de dilatar seus limites, deslocar padrões e experimentar outras formas de habitar a própria existência. A partir de movimentos que atravessam a leveza, a fluência, a convulsão e a queda, Sem Osso tensiona a ideia de um funcionamento orgânico padronizado e investiga justamente aquilo que acontece quando o corpo deixa de obedecer às suas estruturas.
A vulnerabilidade e a perecibilidade também estão no centro do trabalho. A queda, recorrente na linguagem do espetáculo, aparece não apenas como perda de equilíbrio, mas como possibilidade de transformação, resiliência e apaziguamento. Ao abrir mão dos recursos tecnológicos externos, a criação coloca em evidência o próprio corpo como uma tecnologia: imperfeita, sensível, perecível e permanentemente capaz de se reinventar.
As sessões de 7 a 9 de outubro serão às 20h. Nos demais demais dias, o espetáculo está marcado para começar uma hora mais cedo, às 19h. As sessões dos dias 11 e 12 contarão com intérprete de Libras e audiodescrição. Sem Osso integra uma sequência de trabalhos desenvolvidos por Édi Oliveira entre 2024 e 2026 e chega ao palco após uma década de amadurecimento do projeto.
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