Cultura DF

Bienal do Livro preenche Brasília com livros e histórias

Evento gratuito segue até domingo (23), no Museu Nacional da República, com debates sobre democracia, sustentabilidade, antirracismo e inteligência artificial

Bienal do Livro preenche Brasília com livros e histórias
Bienal vai até domingo com música, literatura e vários debates Crédito: Divulgação

A 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília (BiLB) começou nesta segunda-feira (17) e segue até domingo (23), no Museu Nacional da República. Com entrada gratuita, o evento reúne escritores, artistas, educadores, editoras, leitores e representantes da cadeia produtiva do livro em uma programação que inclui literatura, música, debates e atividades culturais. A edição deste ano tem como tema “Ler o Amanhã” e ocorre quatro anos depois da última bienal realizada na capital.

A programação aborda temas relacionados aos desafios sociais e culturais do presente e às perspectivas para os próximos anos. Entre os assuntos previstos estão democracia, sustentabilidade, antirracismo, diversidade, representatividade, educação diante do avanço da inteligência artificial e enfrentamento à violência contra a mulher.

Literatura e música

Entre os nomes que participam da programação estão a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, o teólogo Leonardo Boff, o rapper Gabriel O Pensador, o cantor e compositor Criolo e o músico Zeca Baleiro. As atividades estão distribuídas em sete eixos: autores, história em quadrinhos, criança, mercado, conexão geek, música e multimeios.

A agenda musical e literária começou a ganhar destaque na quinta-feira (20), quando Gabriel O Pensador participou, às 15h30, de uma palestra sobre juventude, criatividade e protagonismo. Nesta sexta-feira (21), às 22h, Criolo se apresenta durante a programação do evento. No sábado (22), a programação concentra encontros voltados a questões sociais, culturais e ambientais. Às 14h, Zeca Baleiro participa da palestra “Ler o Amanhã: poesia, música e as histórias que transformam”. O encontro propõe uma discussão sobre a relação entre música, literatura e as narrativas que participam da formação cultural.

Às 16h, Leonardo Boff participa de um debate sobre o futuro das relações humanas, sustentabilidade e consciência planetária. O religioso e escritor, ligado à Teologia da Libertação, tem entre os temas recorrentes de sua produção questões relacionadas à ética, à ecologia e às relações sociais.

Mais tarde, às 19h, Djamila Ribeiro participa de uma roda de conversa sobre democracia, diversidade e representatividade. A atividade integra a proposta da bienal de discutir questões relacionadas à participação social e à presença de diferentes grupos na sociedade.

Transformações

A escolha dos temas amplia a programação para além das discussões relacionadas diretamente à produção literária. O evento propõe encontros sobre transformações tecnológicas, relações sociais e questões ambientais, utilizando a leitura e a cultura como pontos de partida para a discussão sobre o futuro.

O eixo dedicado ao futuro da educação inclui debates sobre os impactos da inteligência artificial no ensino. A discussão ocorre em um cenário de expansão das ferramentas digitais capazes de produzir textos, imagens e outros conteúdos, o que tem provocado debates sobre métodos de aprendizagem, formação de professores, autoria e acesso ao conhecimento.

A pauta ambiental também está presente na programação. As atividades sobre sustentabilidade discutem a relação entre sociedade e meio ambiente e as responsabilidades diante das mudanças no planeta. A proposta se relaciona diretamente ao conceito de “Ler o Amanhã”, adotado como tema central desta edição.

O antirracismo e a diversidade aparecem em diferentes atividades da programação. Os debates abordam representatividade e participação social, além de questões relacionadas às desigualdades que atravessam a sociedade brasileira. A participação de Djamila Ribeiro integra esse conjunto de discussões.

Outro tema previsto é o enfrentamento à violência contra a mulher. A questão é incluída entre os assuntos que orientam os debates da bienal, ao lado de discussões sobre democracia e direitos sociais.

Crianças

A programação também contempla públicos específicos. O eixo criança reúne atividades voltadas ao público infantil e à formação de leitores. O setor de história em quadrinhos aborda uma linguagem que integra literatura, ilustração e cultura pop. Já o eixo conexão geek reúne conteúdos relacionados ao universo de jogos, tecnologia, ficção e entretenimento.

O mercado editorial também faz parte da programação. A presença de editoras e profissionais da cadeia produtiva do livro permite discutir aspectos relacionados à produção, circulação e comercialização das obras. O segmento reúne autores, editores, livreiros, distribuidores e outros profissionais envolvidos na atividade editorial.

A música ocupa outro dos sete eixos definidos pela organização. Além das apresentações de Criolo e das participações de Gabriel O Pensador e Zeca Baleiro em atividades ligadas à programação cultural, o evento estabelece conexões entre produção musical, literatura e outras formas de expressão.

O eixo multimeios amplia a abordagem para diferentes formatos de produção cultural e comunicação. A divisão da programação busca reunir atividades destinadas a públicos com diferentes interesses, mantendo a leitura como referência central do evento. A 6ª Bienal Internacional do Livro de Brasília ocorre quatro anos após a edição anterior, realizada em 2022. O retorno ao calendário cultural da capital reúne atividades que relacionam o livro a debates contemporâneos e a outras manifestações artísticas.

O tema “Ler o Amanhã” orienta a proposta desta edição ao relacionar leitura, conhecimento e reflexão sobre o futuro. A programação coloca escritores e pensadores em contato com artistas e representantes de diferentes áreas para tratar de questões que ultrapassam o mercado editorial.

Ao longo de sete dias, o Museu Nacional da República será o ponto de encontro das atividades da bienal. A programação gratuita busca aproximar o público de autores, músicos, pensadores e outros profissionais ligados à produção cultural.