Por Mayariane Castro
A cidade de Brasília, seus prédios e espaços, serão o espaço cênico de Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar, obra da Anti Status Quo Companhia de Dança. A temporada gratuita começou na quarta-feira (12) e vai até o dia 29 de agosto.
As apresentações partem das imediações do Centro de Dança do Distrito Federal , no Setor de Autarquias Norte, e seguem por áreas dos Setores Bancário e Hoteleiro Norte. A programação inclui nove sessões para o público em geral, com três apresentações concebidas para pessoas com deficiência visual e debates após essas últimas sessões.
Fora do palco
Criado em 2019, o trabalho substitui o palco convencional por um percurso realizado a pé. Durante cerca de 90 minutos nas sessões gerais, os espectadores percorrem um trajeto previamente definido enquanto ações performativas, arquitetura, sons, paisagens, corpos e elementos do cotidiano integram a dramaturgia. A versão destinada a pessoas cegas e com baixa visão terá duração de 60 minutos e será realizada neste sábado (15) e nos dias 22 e 29 de agosto, às 9h30, com até dez participantes por sessão.
A principal novidade desta temporada é a criação de uma experiência específica para pessoas com deficiência visual. Em vez de adaptar a montagem existente ou utilizar apenas recursos de audiodescrição, a companhia desenvolveu outro modo de participação. Cada espectador é acompanhado individualmente por um artista-performer, responsável por conduzir o percurso a partir de uma relação de escuta, orientação e confiança.
O processo contou com a consultoria da audiodescritora Kleymara Kopavnick e da consultora cega Denise Melo. Segundo a companhia, a participação das profissionais contribuiu para aproximar a criação das experiências de pessoas cegas e com baixa visão. O grupo também realizou experimentações com os olhos vendados e convidou pessoas com deficiência visual para acompanhar os procedimentos e participar de conversas com os bailarinos.
Outras percepções
A diretora e coreógrafa Luciana Lara afirma que a pesquisa sobre outras formas de percepção está relacionada ao percurso artístico da companhia. Em 2014, a obra "De Carne e Concreto" já havia explorado uma dança percebida pelo tato. Desde 2024, o grupo também pesquisa a audiodescrição estética, proposta que busca estabelecer uma relação sensorial com obras artísticas para pessoas com deficiência visual.
Na versão de "Microutopias Cotidianas Aglutinantes do Lugar", a cidade deixa de ser apenas o ambiente onde a dança acontece e passa a integrar a experiência. O deslocamento a pé orienta a percepção dos participantes sobre lugares de passagem, sons, superfícies, movimentos, arquitetura e situações cotidianas.
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