Correio da Manhã
Cultura DF

Reflexões a partir de cartas íntimas

Monólogo traz reflexões sobre sexualidade e desejos reprimidos

Reflexões a partir de cartas íntimas
A partir de cartas anônimas de cunho obsceno, personagem discute sexualidade Crédito: Bruna Braz

A Cia. Novos Candangos inicia, em junho, a circulação do espetáculo "Minha Grande Pequena" por três regiões administrativas do Distrito Federal.

O projeto "Além do Plano – Minha Grande Pequena", realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), levará apresentações gratuitas para Samambaia, Gama e Planaltina entre esta sexta-feira (19 de junho) e o dia 5 de julho. A programação inclui sessões com recursos de acessibilidade, mediação com o público e oficinas de formação cultural destinadas a mulheres.

O monólogo acompanha a trajetória de uma dona de casa que passa a receber cartas anônimas de conteúdo obsceno. A partir desse acontecimento, a personagem confronta questões relacionadas à sexualidade, identidade, desejos reprimidos e padrões sociais que atravessam a experiência feminina. A montagem tem duração de 50 minutos e classificação indicativa de 14 anos.

As apresentações começam no Complexo Cultural de Samambaia, nesta sábado e sábado (20), às 20h, e no domingo (21), às 19h.

Em seguida, o espetáculo será encenado na sede da Cia. Lábios de Lua, no Gama, nos dias 26 e 27 de junho, às 20h, e em 28 de junho, às 19h. A circulação será encerrada em Planaltina, no Mini Teatro Lieta de Ló, com sessões nos dias 3 e 4 de julho, às 20h, e em 5 de julho, às 19h.

Acesso

A iniciativa busca ampliar o acesso a produções teatrais fora da região central de Brasília, promovendo atividades culturais em diferentes territórios do Distrito Federal. Além das apresentações, o projeto prevê ações de formação voltadas à qualificação de mulheres interessadas em atuar no setor cultural.

Em cada uma das regiões contempladas será realizada a oficina “Acende a Luz – Empreendedorismo e Projetos Culturais para Mulheres”, conduzida pela atriz, diretora e gestora cultural Alana Ferrigno. A atividade abordará temas relacionados à elaboração de projetos, captação de recursos e desenvolvimento de iniciativas culturais. A participação é gratuita e as inscrições são disponibilizadas pela companhia por meio de suas redes sociais.

Diálogos

O espetáculo foi concebido a partir de referências literárias presentes na obra de escritoras e escritores brasileiros. A dramaturgia dialoga com textos de Hilda Hilst, Clarice Lispector e Ignácio de Loyola Brandão, incorporando elementos que exploram o universo interior da personagem e as tensões entre vida privada e expectativas sociais.

Na trama, a protagonista leva uma rotina doméstica considerada estável até o surgimento das cartas anônimas. O conteúdo das correspondências desencadeia uma série de reflexões sobre sua própria existência, levando-a a revisitar memórias, desejos e conflitos pessoais. A narrativa se desenvolve a partir da perspectiva da personagem, permitindo ao público acompanhar as transformações provocadas por esse processo.

Segundo a companhia, a proposta da montagem é trazer para o palco discussões relacionadas à condição feminina e à invisibilidade de experiências frequentemente vividas de forma silenciosa. O espetáculo utiliza a linguagem do teatro para abordar temas ligados à liberdade individual, ao corpo e às relações sociais.

Premiações

Desde sua estreia, "Minha Grande Pequena" tem acumulado participações em festivais e mostras teatrais. Em 2024, a produção conquistou quatro premiações no 8º Festival Nacional de Teatro de Mariana (Festeco), em Minas Gerais. O espetáculo recebeu os troféus de Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Trilha Sonora e Melhor Caracterização Cênica.

No ano seguinte, a montagem obteve o primeiro lugar na categoria Espetáculo Solo do Prêmio Web de Teatro do Distrito Federal. Também integrou circuitos de circulação em diferentes cidades brasileiras, com apresentações em João Pessoa, na Paraíba; Belo Horizonte, em Minas Gerais; e Curitiba, no Paraná.

A circulação de 2026 marca o retorno da obra ao Distrito Federal após a passagem por outros estados. A companhia destaca que a proposta é fortalecer o contato com o público local e ampliar o alcance das ações de formação e difusão cultural previstas no projeto.

A programação também contempla medidas de acessibilidade em todas as sessões. As apresentações contarão com tradução em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e audiodescrição, permitindo que pessoas com deficiência auditiva e visual acompanhem o espetáculo. As iniciativas seguem diretrizes voltadas à ampliação do acesso à produção cultural.

Após cada sessão, o público poderá participar de uma atividade de mediação conduzida por Tati Ramos, atriz, psicóloga, escritora e cofundadora da Cia. Novos Candangos. O encontro pretende criar um espaço de diálogo sobre os temas abordados pela montagem e sobre as percepções despertadas pela experiência teatral.

Com a combinação entre apresentações artísticas, acessibilidade e formação cultural, o projeto busca promover o acesso ao teatro em diferentes regiões administrativas do Distrito Federal, ao mesmo tempo em que estimula a participação de mulheres em processos de criação, gestão e produção cultural. A expectativa da companhia é alcançar novos públicos e fortalecer a circulação de produções teatrais fora do eixo central da capital federal.