O projeto Agroecologia para Crianças comemora dez anos de atuação no Distrito Federal com o lançamento do livro “Pepita: uma abelhinha sem ferrão”, terceira publicação da série criada pela tecnóloga em Agroecologia, educadora e multiartista Déborah Paiva.
A obra será apresentada em escolas públicas entre os dias 8 e 19 de junho, em uma programação gratuita que inclui apresentações teatrais interativas, distribuição de exemplares e atividades voltadas à educação ambiental.
O lançamento ocorre em um contexto de discussões sobre mudanças climáticas, preservação ambiental e formação das novas gerações para práticas sustentáveis. O novo livro aborda a importância das abelhas nativas brasileiras para a manutenção dos ecossistemas e da produção de alimentos, além de incorporar recursos de acessibilidade voltados a crianças com deficiência visual e auditiva.
Vivências
As atividades serão realizadas em quatro instituições de ensino do Distrito Federal. Cada escola receberá duas vivências pedagógicas, uma em cada turno. A programação contempla a Escola Classe 05 do Guará I, o Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV), a Escola Classe 01 do Guará I e a Escola Classe 08 do Guará II.
Segundo a idealizadora do projeto, a proposta é aproximar crianças de temas ligados à agroecologia por meio da literatura, das artes e de experiências interativas. Desde sua criação, o Agroecologia para Crianças desenvolve ações educativas voltadas à divulgação de práticas sustentáveis e ao fortalecimento da relação entre infância e meio ambiente.
Pepita
“Pepita: uma abelhinha sem ferrão” apresenta a trajetória de uma abelha nativa brasileira que deseja conhecer o mundo além da colmeia. Ao longo da narrativa, a personagem estabelece conexões com elementos da biodiversidade e com conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. A história também destaca a presença das abelhas sem ferrão no território brasileiro antes da chegada dos colonizadores europeus.
De acordo com Déborah Paiva, a escolha do tema busca ampliar o conhecimento das crianças sobre espécies de abelhas que fazem parte dos ecossistemas brasileiros e que desempenham papel relevante na polinização de plantas. A autora ressalta que muitas pessoas associam a produção de mel e a polinização apenas às espécies introduzidas no país, sem conhecer a diversidade de abelhas nativas existentes.
A relevância do tema encontra respaldo em dados de organismos internacionais. Informações da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) indicam que a polinização é responsável por sustentar mais de 75% das culturas agrícolas destinadas à alimentação humana, incluindo frutas, legumes, sementes e oleaginosas. O trabalho realizado por insetos polinizadores influencia diretamente a produtividade agrícola e a conservação da biodiversidade.
Ao mesmo tempo, estudos e relatórios internacionais apontam a redução das populações de abelhas em diferentes regiões do mundo. Entre os fatores relacionados a esse declínio estão a perda de habitat, a expansão de áreas urbanas e agrícolas sem planejamento ambiental e o uso de pesticidas. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) tem alertado para os impactos da diminuição desses polinizadores sobre os sistemas alimentares e os ecossistemas.
Tecnologia
Além do conteúdo voltado à educação ambiental, a nova edição do livro apresenta recursos tecnológicos e de acessibilidade. Os exemplares contam com versão em Braille e QR Codes que direcionam o leitor para conteúdos digitais complementares. As animações disponibilizadas por meio desses códigos possuem audiodescrição, permitindo o acesso de pessoas com deficiência visual.
As ações presenciais também foram planejadas para ampliar a participação de diferentes públicos. As apresentações realizadas nas escolas contarão com intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras) e recursos de audiodescrição. A proposta é garantir que estudantes com diferentes necessidades possam acompanhar as atividades e interagir com o conteúdo apresentado.
O lançamento representa a terceira publicação produzida pelo projeto Agroecologia para Crianças. O primeiro livro da série abordou a compostagem como ferramenta para o reaproveitamento de resíduos orgânicos e a produção de adubo. A segunda obra tratou dos sistemas agroflorestais e da integração entre agricultura e conservação ambiental. Com a nova publicação, o projeto direciona sua atenção às abelhas nativas e à sua contribuição para a manutenção da vida nos ecossistemas.
Ao longo de uma década, a iniciativa tem utilizado diferentes linguagens artísticas e educativas para apresentar conceitos relacionados à agroecologia ao público infantil. A combinação entre literatura, teatro, tecnologia e atividades participativas faz parte da estratégia adotada para estimular o interesse das crianças por temas ambientais e pela conservação da biodiversidade.
As atividades previstas para junho integram a celebração dos dez anos do projeto e buscam ampliar o acesso de estudantes da rede pública a conteúdos voltados à educação ambiental, à valorização da biodiversidade brasileira e à inclusão cultural. A expectativa é que as ações alcancem crianças de diferentes faixas etárias, promovendo contato com conhecimentos sobre agroecologia e a importância das abelhas nativas para os ecossistemas e para a produção de alimentos.
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