SABATINA/PAULA BELMONTE
A candidata do PSDB ao Governo do Distrito Federal, Paula Belmonte, presidiu, na Câmara Legislativa, a CPI do rio Melchior, que investigou a situação de grande poluição do rio e o plano de se constuir uma usina termoelétrica no Distrito Federal. Ao final, com grande cobertura do Correio da Manhã, que acabou recebendo um prêmio pela atuação, conseguiu-se evitar a usina. Na sua sabatina, a candidata do PSDB afirma que dará preocupação à questão ambiental caso seja eleita. Ela também fala de saúde e educação. E rebate a influência de seu marido, Luís Felipe Belmonte, na sua vida política. "A política lá em casa é Paula Belmonte", afirma ela.
Candidata, seu marido, luíz felipe belmonte, esteve envolvido na tentativa de criação de um partido, o Aliança pelo Brasil, para o ex-presidente jair bolsonaro. a senhora se declara uma política independente. Mas como é essa influência de seu marido nas suas posições políticas?
É importante colocar isso, principalmente como esposa e como mulher. Eu fico muito feliz do apoio que eu recebo do meu marido, de eu continuar com essa independência. A gente, com certeza, converge em muita coisa na criação dos nossos filhos. Nós tivemos cinco filhos, e a minha filha, que foi criada por ele desde os três anos de idade, com muito respeito. O que ele fez, ele estava lá nas convicções dele. Eu sou uma deputada independente e fiz muitos trabalhos que envolvem todos os parlamentares ali. Eu fui o centro, vamos dizer assim, que trouxe convergências. Eu sou a deputada que mais investe na educação. Sou deputada, fui presidente da Comissão de Fiscalização do Rio Melchior, e nós tínhamos deputados de esquerda a direita, mas o nosso relatório foi votado por unanimidade. Então, eu acredito que hoje o Brasil está precisando sair desses polos e construir. O que construir? Construir uma escola de qualidade para as nossas pessoas, uma dignidade nos hospitais. O Brasil é rico. E eu tive a oportunidade de morar fora e a gente vê que países muito menos ricos que nós, com menos capacidade industrial, com menos capacidade agrícola, têm mais dignidade para as pessoas.
Mas aí a atuação política da senhora está dissociada da atuação do seu marido?
Meu marido não é político. Ele foi por um determinado momento, mas ele não é político. E tanto é da minha independência e do respeito à minha independência que meu marido é primeiro suplente de um senador da República [Izalci Lucas, na época no PSDB, hoje no PL] que concorreu ao governo na eleição passada, e eu estava num outro projeto político, querendo trazer o [José Antonio] Reguffe [na época no Uniao Brasil, hoje no Solidariedade] como governador do nosso Distrito Federal. Ele respeitou plenamente. Então, na realidade, existe um respeito de uma mulher e de um homem, e eu acho isso muito saudável. Quem é política na minha casa é Paula Belmonte.
Candidata, a senhora citou que é a deputada que mais investe em educação. No seu plano de governo a senhora propõe a ampliação de escolas em tempo integral, mas a gente sabe que demanda muitos recursos. Como isso vai funcionar na prática, de onde virão esses recursos para ampliar essas escolas em tempo integral?
Nós temos três pilares no nosso plano de governo: a defesa da criança e do adolescente, que foi o motivo que eu entrei na política; o combate à corrupção e o empreendedorismo. O que significa empreendedorismo? Qualificação das pessoas. E, quando a gente fala de escola integral, nós estamos falando de um preparo das pessoas para chegarem qualificadas na sua vida, na sua juventude e na sua vida adulta. E como que a gente vai fazer isso? Hoje, o Distrito Federal tem R$ 13 bilhões na Secretaria de Educação, e R$ 600 milhões são gastos em transporte escolar. Aí a gente fala assim: “Nossa, que bom que nós temos o transporte escolar”. Mas isso significa que a escola não está perto dos nossos estudantes. Se nós pegarmos esse dinheiro de R$ 600 milhões e construirmos escolas, nós modificamos aquelas regiões e vamos fazer com que as empresas, que são as máfias do transporte escolar, acabem, e a gente leve a escola para casa. A gente tem a máfia da merenda escolar, que lá na Câmara nós combatemos. Então, se nós trouxermos transparência na utilização do dinheiro público, com certeza nós vamos ter dinheiro para construir creche, com certeza nós vamos ter dinheiro para estruturar nossas escolas. Hoje, as crianças ficam, às vezes, duas horas para chegar na escola de barriga vazia, só para lanchar às 11 horas, e depois voltam para casa para ter duas horas. E aí, por isso, que o resultado do Ideb é o último lugar de Brasília. Então, nós temos que entender que a valorização do professor é fundamental. Como é que um professor vai trabalhar num lugar que não tem estrutura? O professor é ser humano, e o professor vê quando o aluno está passando fome, quando ali tem uma desconexão ou uma negligência dentro da família. Nós vamos trabalhar com educação integral, com integralidade para as pessoas e para as nossas crianças. Nós vamos dar para Brasília o primeiro lugar do Ideb.
Os documentos que estão se tornando públicos com relação à investigação do caso Master/BRB apontam uma possibilidade de um rombo acima daqueles alegados R$ 12 bilhões. Como resolver essa questão? como solucionar essa crise?
Eu quero aproveitar essa oportunidade e essa audiência para falar do que eu fiz na Câmara Distrital. Na Câmara Distrital, nós tivemos a possibilidade de votar a favor ou contra a compra do Banco Master. E eu, antes de tudo isso, já havia pensado que o BRB estava tendo uma conduta que não era adequada. É importante as pessoas saberem: desde o primeiro momento, nós estamos contra essa aquisição do Banco Master, mas, principalmente, contra a conduta do BRB, que estava com uma perspectiva de nacionalização. E eu falava exatamente isso: nós não precisamos nacionalizar, nós precisamos é regionalizar. Vai fortalecer a economia do Distrito Federal. Nós precisamos fortalecer a economia do Distrito Federal. E dizer o seguinte: esse rombo, de R$ 12 bilhões ou R$ 17 bilhões, eu não sei se é verdade. Isso é a Polícia Federal que fala, mas pode chegar a R$ 30 bilhões. Por isso, a gente pede para a atual governadora botar na mesa o balanço. Porque, se ela não colocar, é um estelionato eleitoral. Como que a gente vai para uma eleição se a gente não sabe o que aconteceu, qual é o déficit do Banco de Brasília?
Qual sua avaliação sobre o que aconteceu com o BRB?
O que aconteceu no BRB não foi só má gestão. Foi um crime. Um crime num banco público, um banco regional, que nasceu praticamente com o Distrito Federal, que eles tentaram se dar bem. Não tem outra palavra, não. O presidente do BRB está preso. Ele ia ganhar, de corrupção, mais de R$ 140 milhões em imóveis. E quem faz parte dessa gestão do Governo do Distrito Federal, que foram eleitos, foram Ibaneis [Rocha] e Celina [Leão].
A senhora enxerga saída para o Banco de Brasília?
Eu não sei. Eu sei que eu vou lutar para que o Banco de Brasília se torne o centro do Distrito Federal. Agora, eu não posso me comprometer com algo que a gente não sabe. A única pessoa que sabe e que está escondendo é a Celina. Eu só posso me comprometer com algo que eu sei. Eu sei que eu vou procurar salvar. Agora, para isso, a gente precisa dos números.
Estudos da Universidade de Brasília apontam diferenças de temperatura de até 3°C entre áreas mais arborizadas, como o Plano Piloto, e regiões com menor cobertura vegetal. Em um cenário de agravamento dos efeitos das mudanças climáticas, quais são as propostas na área ambiental e climática?
Eu fui presidente da CPI do Rio Melchior, e você trouxe agora um dado importante. Olha só: crise climática com a diferença de 3 graus. O que eles estavam querendo colocar nesse governo era uma termoelétrica que iria mudar a temperatura da água do Rio Melchior em 4°. Olha o que eles queriam fazer. E eu, como presidente da CPI, a gente combateu, conseguiu levar o Ibama lá e conseguimos fazer com que a nossa Escola da Guariroba não fosse demolida e conseguimos que a termoelétrica não fosse aceita pelo Ibama. Agora, esse governo colocou a Serrinha como uma das garantias do BRB. A Serrinha é onde nós temos as nossas nascentes, é onde nós podemos fazer parques, não especulação imobiliária. Nessa época do ano, nós temos em Brasília os ipês. São árvores, porém, que a gente só vê no Plano Piloto. Isso, sim, é uma discriminação. Por que as árvores, as nossas árvores, não estão nas regiões administrativas? Por que as nossas crianças não têm parques para que elas possam brincar?
O que que a senhora avalia que estava por trás dessa tentativa de construção de uma termoelétrica no DF?
O que a gente vê é isso. Era uma termoelétrica que não tinha gasoduto. E que ia usar a água do rio Melchior, já poluído. Tinha que trazer a água do rio Melchior, fazer uma limpeza, um tratamento para usar na termoelétrica e ainda colocava no rio Melchior quatro graus a mais. Ia modificar todo o sistema da biodiversidade lá. Uma irresponsabilidade. Em um mês, a emissão de gases da termoelétrica equivaleria ao que hoje jogam na atmosfera todos os carros do Distrito Federal. E nós temos mais de dois milhões de carros. Então, é muito sério o que estavam tentando fazer.
O DF passou por uma rápida expansão urbana e hoje tem cerca de três milhões de habitantes, o que aumenta a pressão sobre o sistema de transporte e os deslocamentos diários. Quais são as suas propostas para melhorar a mobilidade no DF?
No primeiro dia de governo, nós vamos criar um gabinete de combate à corrupção. E o gabinete de combate à corrupção vai fazer com que a gente tenha auditoria no que está sendo feito na Secretaria de Mobilidade. Hoje, nós temos cinco empresas que não têm livre concorrência e que fazem com que o metrô não tenha expansão. A expansão do metrô vai acontecer para a Asa Norte, vai acontecer para Santa Maria, vai acontecer até Águas Lindas, vai acontecer também o monotrilho até Planaltina. Aí perguntam: "Como que é que a gente vai fazer isso? Com que dinheiro?" Vamos trazer dinheiro, sim, do governo federal, porque nós não vamos ter problema com o presidente que será eleito. Nós vamos trazer, sim, dinheiro do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento]. Nós queremos estudar a possibilidade de o transporte de Brasília ser de graça para as pessoas, mas com responsabilidade, com ônibus chegando no horário, com ônibus tendo respeito às nossas mulheres, com ônibus tendo respeito aos moradores e com integração com as nossas estações de metrô. Eu tenho certeza absoluta de que, no primeiro ano, a gente consegue já entregar a expansão do metrô da Asa Norte.
Um outro ponto sempre muito questionado aqui no Distrito Federal é a questão da saúde. Como resolver o gargalo da saúde no DF?
O usuário está morrendo antes de chegar no hospital. Então, dentro do nosso plano de governo, a nossa responsabilidade é o fortalecimento da atenção primária. É os Agentes Comunitários de Saúde estarem lá na ponta junto com as pessoas. Não há hoje uma única Unidade Básica de Saúde com equipe completa. E temos que acabar com as várias máfias. A máfia do remédio, a máfia da prótese, a máfia do exame, que fica um monte de empresas de exame em volta e o exame não acontecendo dentro do hospital. Temos que contratar mais profissionais. As pessoas quebram um fêmur e ficam vinte dias esperando uma cirurgia. Quando acontece, o osso já calcificou errado. Marca. Desmarca. Faz jejum. Não faz jejum. Isso não pode mais acontecer.
Suas considerações finais
Eu quero mais uma vez agradecer aqui o Correio da Manhã. É a oportunidade dessa sabatina de todos conhecerem os candidatos. Meu nome é Paula Belmonte, eu tenho 53 anos, sou mãe de seis filhos. Sou uma cidadã brasileira que acredito de verdade na política do bem, da política da boa gestão, do combate à corrupção. Nós moramos na capital federal, temos dinheiro, o que a gente precisa é responsabilidade e amor ao próximo.
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