O Palácio do Planalto era o alvo principal do grupo que planejava um atentado a bomba em Brasília durante as eleições deste ano. De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a planta baixa do prédio já circulava entre o grupo, apontando que ele seria o alvo primário do ataque.
“Eles compartilharam principalmente os prédios da área central de Brasília. A título de exemplo, eles marcaram quais ministérios eram de quais pastas, em busca de uma definição do que eles chamaram de alvos primários”, disse o coordenador de inteligência da PCDF, Maurílio Coelho, em entrevista concedida no Ministério da Justiça nesta terça-feira (4).
“Eles fizeram um desenho da área central marcando todos os ministérios, o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, e estavam a definir qual seria o alvo primário. Em complemento, eles difundiram a planta baixa do Palácio do Planalto como escolha de alvo primário”, afirmou Coelho.
A operação Rede Interrompida, deflagrada pela PCDF nesta terça-feira, teve início a partir da interceptação de mensagens sobre os ataques, que ocorreriam durante os debates do segundo turno das eleições.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os investigados têm entre 19 e 31 anos e integravam uma rede que utilizava plataformas digitais para organizar ações, recrutar novos participantes por todo o país e disseminar conteúdo de cunho nazista.
Segundo o coordenador de inteligência da PCDF, o grupo não mirava uma autoridade específica no plano de atentado. A ideia seria expressar a “revolta” contra o sistema político brasileiro.
“Não citavam nomes específicos. Essa é uma característica que a gente observou, eles eram como se fossem contra o sistema político, sem determinar esquerda, direita, centro, mas contra o sistema político como um todo. Eles planejavam para outubro desse ano durante o período eleitoral”, disse Maurílio Coelho.
Com a apreensão de equipamentos que estavam em poder dos suspeitos, a PCDF espera determinar onde o grupo conseguiu o material usado na articulação do plano, como as plantas baixas, além do material de conteúdo nazista. Na fase atual da investigação, nenhuma prisão foi efetuada. “Não tinha mandado de prisão. Nesse primeiro momento, a investigação optou por não pedir a prisão dos investigados”, afirmou Coelho.
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