Atentado a bomba durante as eleições

Polícia descobre grupo que planejava atentado a bomba durante as eleições

Polícia Civil do Distrito Federal cumpre mandados em cinco estados após identificar conversas sobre um possível ataque durante os debates do segundo turno. Investigação também apura a atuação de uma rede extremista que propagava discursos de ódio contra mulheres nas redes sociais. Seminarista está entre os suspeitos

Polícia descobre grupo que planejava atentado a bomba durante as eleições
Grupo extremista que planejava atentado a bomba durante as eleições estava fazendo recrutamento interestadual de membros por plataformas na Internet Crédito: Divulgação PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, nesta terça-feira (4), uma operação para aprofundar as investigações contra um grupo suspeito de planejar ações extremistas e discutir a realização de um atentado a bomba durante o período eleitoral. A operação que recebeu o nome de "Rede Interrompida" ocorre após a identificação de mensagens que indicam conversas sobre possíveis ataques durante os debates do segundo turno das eleições.

Ao todo, oito mandados de busca e apreensão são cumpridos em Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Os investigados têm entre 19 e 31 anos e são suspeitos de integrar uma rede que utilizava plataformas digitais para organizar ações, recrutar novos participantes por todo o país e disseminar conteúdo extremista.

Polícia encontrou conversas sobre possível ataque

Segundo a investigação, as mensagens analisadas pelos agentes mostram que integrantes do grupo planejaram a possibilidade de realizar um atentado com explosivos durante o período eleitoral. As conversas também abordavam estratégias para invasão de prédios públicos, escolha de possíveis alvos e formas de ampliar a atuação da organização.

Grupo tinha mapa e plantas de prédios públicos

Os investigadores identificaram ainda o compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas e modelos tridimensionais de edifícios públicos localizados na região central de Brasília. Entre os locais mencionados nas conversas está o Palácio do Planalto, sede da Presidência da República e Ministérios. 

Suspeitos também propagavam ódio contra mulheres

Além da suspeita de planejamento de atos violentos, a investigação aponta que os participantes utilizavam grupos fechados nas redes sociais para divulgar mensagens de misoginia, incentivar o discurso de ódio contra mulheres e compartilhar conteúdos de caráter extremista.

De acordo com a Polícia Civil, os ambientes virtuais serviam para fortalecer a radicalização dos integrantes e atrair novos participantes para a organização.

Seminarista está entre os investigados

Um dos alvos da operação é um seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco. Conforme a Polícia Civil do Distrito Federal, ele é investigado por supostamente participar das discussões sobre a estruturação nacional da rede extremista.

Durante a operação, agentes realizaram buscas no alojamento utilizado pelo investigado para apreender celulares, computadores, documentos e outros materiais que possam contribuir para o avanço das investigações antes que fossem destruídos.

Operação ocorre em cinco estados

A investigação é conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, principalmente a Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento. Os materiais apreendidos serão analisados para identificar outros possíveis envolvidos e esclarecer o alcance da atuação do grupo. Até agora os crimes enquadrados são: associação criminosa, incitação ao crime e delitos previstos na legislação anti-racismo. A polícia não enquadrou ainda o grupo no crime de terrorismo.