Campo Grande (MS) tem 1.476 pessoas em situação de rua, segundo o primeiro censo municipal sobre o tema.
O levantamento foi feito pelo Grupo de Trabalho Intersetorial da População em Situação de Rua (GT-PSR), com participação da prefeitura de Campo Grande, e reuniu dados para orientar ações de atendimento. A pesquisa foi elaborada pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania (SAS) e pela Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul.
Na primeira etapa, realizada pela metodologia Point-in-Time Count (PIT), foram identificadas 842 pessoas em vias públicas e 634 em serviços de acolhimento. Do total, 1.190 eram homens, 234 mulheres e 52 crianças.
A Região Urbana do Centro concentrou 566 casos, ou 40% do total. Anhanduizinho apareceu em seguida, com 363 pessoas, equivalente a 25,6%. Também houve registros em Prosa, Lagoa, Segredo, Bandeira e Imbirussu. Outras 60 pessoas foram encontradas em uma comunidade terapêutica na área rural.
No primeiro semestre, a fase de entrevistas ouviu 257 pessoas. Desse grupo, 193 estavam em situação de rua e outras 64 eram atendidas em unidades da SAS ou por instituições parceiras.
Entre os entrevistados, 76,3% eram homens cisgênero e 60,3% se declararam pardos. A média de idade foi de 39,6 anos. A ausência de documentos foi relatada por 46,7% dos participantes e chegou a 57,5% entre quem vivia nas ruas. O levantamento registrou 135 pessoas no Cadastro Único (CadÚnico), 101 beneficiários de programas sociais e 166 casos de retorno à situação de rua.
Na renda, 94% citaram atividades informais, principalmente coleta e reciclagem, enquanto sete tinham trabalho formal. A violência física foi relatada por 49,4% dos entrevistados. Houve ainda 121 registros de violência psicológica ou emocional, 56 de violência institucional e 24 de violência sexual. A maioria, cerca de 190 pessoas, informou permanecer sozinha.
Entre as demandas mais citadas estão trabalho e renda, com 110 registros; moradia, 108; alimentação, 107; saúde, 100; documentação, 91; e tratamento para o abuso de substâncias químicas, 77.
Para quem estava em situação de rua, a comida foi apontada como a principal necessidade. Entre acolhidos, trabalho, renda e moradia lideraram as respostas locais.
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