Correio da Manhã
Centro-Oeste

UFMT pesquisará os efeitos de agrotóxicos sobre a saúde materna

Estudo analisa região de intensa atividade agrícola na Amazônia local

UFMT pesquisará os efeitos de agrotóxicos sobre a saúde materna
Segundo a universidade, os dados sobre o tema ainda são poucos Crédito: Divulgação/Idaf-ES

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), no Campus de Sinop (MT), iniciará uma pesquisa para investigar os efeitos da exposição a agrotóxicos sobre a saúde materno-fetal no bioma da Amazônia mato-grossense.

A iniciativa prevê a implantação de uma infraestrutura multiusuária para pesquisas em saúde, com equipamentos destinados a estudos biológicos e toxicológicos. O objetivo é ampliar a capacidade científica da instituição e produzir informações sobre os impactos desses compostos em regiões de intensa atividade agrícola.

Intitulado "Infraestrutura Estratégica em Saúde na Amazônia Mato-Grossense: agrotóxicos e risco materno-fetal", o trabalho foi contemplado em edital voltado à expansão da infraestrutura científica na Amazônia Legal.

Os recursos serão destinados à compra de equipamentos, bolsas para pesquisadores e aquisição de materiais para as atividades.

O estudo será realizado principalmente nos laboratórios da UFMT em Sinop, com participação de pesquisadores do Campus do Araguaia, em Barra do Garças (MT).

A pesquisa investigará a relação entre a exposição a agrotóxicos durante fases críticas do desenvolvimento e o risco de doenças crônicas ao longo da vida.

A universidade informa que ainda há poucos dados sobre a contaminação ambiental por esses compostos nos municípios envolvidos.

Entre os aspectos analisados estarão alterações metabólicas relacionadas à exposição a agrotóxicos e a presença de compostos classificados como disruptores endócrinos.

O objetivo é compreender os efeitos dessa exposição sobre a saúde do binômio mãe-filho. O projeto será desenvolvido em duas frentes: a primeira utilizará modelos experimentais expostos a baixas doses de herbicidas; a segunda envolverá análises de amostras de placenta humana para avaliações toxicológicas e moleculares.

A previsão é que os primeiros resultados sejam obtidos em até 36 meses após a liberação dos recursos.

Caso sejam identificadas alterações metabólicas relacionadas a doses consideradas seguras ou detectada a presença desses compostos em tecidos placentários, os dados poderão subsidiar futuras avaliações regulatórias e contribuir para o planejamento de políticas públicas.