Correio da Manhã
Eleição no DF

Na corrida pelo Executivo, a esquerda se divide no DF com dois candidatos na disputa

Uma parte pede a frente ampla, enquanto a outra recusa o apoio de quem esteve com Ibaneis e Celina

Na corrida pelo Executivo, a esquerda se divide no DF com dois candidatos na disputa
Ricardo Cappelli (PSB) pede aliança com partidos de centro, já Leandro Grass (PT) limita apoio à esquerda Crédito: Reprodução/Instagram @cappelli.ricardo @leandrograss

Apesar de ter perdido popularidade, a atual governadora, Celina Leão (PP), ainda lidera a corrida ao Executivo do Distrito Federal. Em junho de 2025, o Paraná Pesquisas indicou que ela detinha 31,1% das intenções de voto.

Recentemente, na pesquisa espontânea da Exata OP, Celina, apesar de continuar à frente, marcou 16,8%.

Mesmo com a queda de popularidade da principal adversária, o assunto entre a oposição ao governo do DF (GDF) tem sido outro: a concorrência simultânea de dois candidatos do campo progressista, Leandro Grass (PT) e Ricardo Cappelli (PSB).

Ainda segundo dados da Exata OP da última semana, podem ser compreendidos os motivos por trás deste debate.

No modalidade da pesquisa ampliada, quando os participantes recebem uma ficha com dez nomes, Celina passa a ter 23,4% e Arruda (PSD) vem em seguida, com 17,3%.

Já os pré-candidatos ligados à esquerda ficam em terceiro (Grass com 15,5%) e em quarto (Cappelli com 6,4%).

Esquerda dividida

O tema está sendo comentado também na Câmara Legislativa (CLDF). O distrital Max Maciel (PSol) chegou a abordar o assunto publicamente nas redes sociais.

Pelo Instagram, ele apontou o momento atual como decisivo para a união de candidaturas, citando a queda de popularidade do GDF após a crise do Banco de Brasília (BRB) e também o desgaste de nomes da base governista.

"Toda vez que a esquerda ganhou em Brasília, foi porque a direita se dividiu. Neste momento, a direita está dividida", afirmou Maciel.

Ao Correio da Manhã, ele definiu que se trata de uma ação tática, argumentando que, separados, os pré-candidatos de esquerda podem ficar fora do segundo turno.

Para diversificar as vozes do campo progressista sobre o debate, a reportagem tentou contato com a distrital Dayse Amarílio, única representante do PSB na CLDF e colega de partido de Cappelli, mas não conseguiu resposta.

Vice de um, vice de outro

"Eu convidei o Leandro Grass para ser meu vice e até hoje aguardo a resposta", contou Leandro Cappelli ao Correio da Manhã.

O pré-candidato do PSB afirma que é impossível o PT vencer as eleições no DF, visto que, nas últimas eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcançou apenas 41,19% dos votos em Brasília.

"Qual candidato do PT vai conseguir mais votos que Lula? Não existe. E essa não é a minha opinião, mas a opinião dos brasilienses comprovada em fatos", disse.

Leandro Grass, por sua vez, informou à reportagem que também convidou Cappelli para ser vice na chapa Federação da Esperança (PT - PCdoB - PV), mas o pré-candidato do PSB recusou.

"Mas continuamos com as portas abertas para o diálogo com o partido, assim como seguimos dialogando com todas as legendas alinhadas com o campo popular e progressista, que fazem oposição ao 'desgoverno' Ibaneis-Celina", declarou Grass.

Frente ampla

Cappelli defende que o melhor caminho é a formação de uma frente ampla, integrando nomes de centro e centro-direita contrários ao Bolsonarismo e que fizeram oposição ao Executivo do DF.

"Porque uma frente somente de esquerda e com o PT na cabeça da chapa não ganha eleição", comentou.

Já Maciel discorda da iniciativa, justificando que os centristas estiveram ao lado do GDF no último governo.

"Eles não só apoiaram, como são fieis a Ibaneis e à Celina até hoje", declarou o distrital.

Cappelli, por sua vez, rebateu as críticas citando nomes como a deputada Paula Belmonte (PSDB), que se opôs ao GDF ao longo do mandato.