A taxa de registros de desaparecimentos cresceu 4,9% no Brasil em 2024, totalizando 81.873 casos notificados às Polícias Civis de todo o país, segundo o Anuário de 2025 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). De acordo com o Fórum, considerando as estatísticas recentes, foram realizadas, em média, quatro notificações de desaparecimento por hora às autoridades policiais.
Os impactos emocionais e psicológicos dos desaparecimentos de pessoas são diversas, intensas e mudam de forma drástica a vida de familiares e amigos que passam a vivenciar um sofrimento profundo e permanente em busca de informações sobre o paradeiro de seus entes queridos. Familiares que convivem com o fenômeno do desaparecimento relatam que passam a vivenciar um luto ambíguo já que não há a confirmação da morte do desaparecido.
Pela Lei que orienta as ações da Política Nacional de Pessoas Desaparecidas, (13.812/19), considera-se um desaparecido "todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento, até que sua recuperação e identificação tenham sido confirmadas por vias físicas ou científicas através do levantamento de DNA".
Resolução
Com o objetivo de avançar na resolução dos casos de desaparecimentos no Distrito Federal, a Polícia Civil do DF (PCDF) lançou, na quinta-feira (2), no Instituto de Identificação (II), o Projeto Orfeu. A iniciativa é voltada à reanálise biométrica de cadáveres não identificados ou identificados exclusivamente na esfera criminal, por meio da aplicação de tecnologias avançadas de comparação biométrica e da integração de bases de dados estaduais e federais.
O projeto concentra-se em registros coletados a partir de 1994, estabelecendo um recorte temporal de três décadas. De acordo com a PCDF, esse período foi definido em razão das limitações das mídias físicas utilizadas à época, como os papéis de fax, que comprometiam o armazenamento e a leitura de detalhes biométricos.
De acordo com a Polícia Civil, até o momento, a iniciativa possibilitou a recuperação de 117 identidades dentre 409 casos analisados dos últimos 30 anos, evidenciando o potencial da integração entre bases biométricas e da utilização de tecnologias contemporâneas para a resolução de casos históricos de elevada complexidade.
O projeto estabelecerá a formação de um Banco Biométrico de Cadáveres Não Identificados e a implementação de um ciclo contínuo de revisão biométrica, consolidando um modelo permanente de atualização tecnológica e aperfeiçoamento dos processos de identificação humana.
Renata Simões Muller, Chefe do Laboratório de Necropapiloscopia do Instituto de Identificação (II), explica que o Projeto funciona colocando um fluxo novo de identificação através da modernização dos sistemas da Polícia Federal, do sistema da PCDF e dos institutos de identificação de todo o país.
"Finalizando o processo de identificação desses 30 anos, o Instituto de Identificação criará, dentro do sistema ABIS [sistema automatizado da Polícia Federal] um banco de cadáveres não identificados, que será utilizado para identificação e cruzamento biométrico de pessoas desaparecidas, dando celeridade a esse processo e dando respostas para a família dos desaparecidos."
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