Por Isabel Dourado
Dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) mostram que mais de 80% dos adolescentes do DF consomem ultraprocessados e quase 30% apresentam excesso de peso. O cenário também preocupa em outras faixas etárias: entre crianças de 5 a 10 anos, 25% estão acima do peso ideal, e entre crianças de 2 a 5 anos, o índice chega a 9,63%.
As informações fazem parte do boletim epidemiológico mais recente sobre obesidade infantil no DF, que também aponta a relação entre hábitos alimentares e o avanço do excesso de peso.
Consequências
O diretor da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Luiz Córdova, observa que a obesidade continua em ascensão entre crianças e adolescentes. Segundo ele, esse cenário é extremamente preocupante, pois as consequências para a saúde tendem a aparecer mais cedo.
Ele explica ainda que a obesidade não está relacionada apenas ao excesso de peso, mas ao acúmulo de gordura, fator que favorece o surgimento de doenças como diabetes, hipertensão, câncer, doenças cardiovasculares, e gordura no fígado.
"Quando você começa com a obesidade muito cedo, já vai ter problema de saúde, porque a obesidade não é excesso de peso, e sim de gordura, que leva a diabetes, hipertensão, esteatose hepática (gordura no fígado) e hipertensão arterial. Essa epidemia de obesidade tem acarretado infarto em jovens de 20 anos. A obesidade é caracterizada pelo excesso de gordura. A consequência é adultos jovens com doenças graves e muito cedo, cada vez mais cedo", ressalta.
A Secretaria de Saúde do DF destaca que o consumo de ultraprocessados, por exemplo, está presente em 78% das crianças de 2 a 5 anos e em 83% das crianças de 5 a 10 anos. Córdova defende que alimentos processados e ultraprocessados sejam proibitivos para crianças. Segundo o especialista ouvido pelo Correio da Manhã, os pais precisam estar atentos à alimentação dos filhos e oferecer apenas alimentos in natura.
"O primeiro passo é focar na alimentação. A alimentação para criança é in natura; os pais não devem dar nada industrializado. São proibitivos refrigerantes, biscoitos, hambúrgueres, salgadinhos e doces. Não dar nada embalado e sim descascado. Além disso, tentar aumentar a proteína de origem animal e compreendem que crianças precisam de exercício físico diário.
Para Luiz Córdova, o avanço da obesidade infantil está diretamente relacionado às condições socioeconômicas da população. De acordo com ele, o aumento da pobreza dificulta o acesso a alimentos in natura e favorece o consumo de alimentos ricos em carboidratos ou ultraprocessados. Córdova também argumenta que ainda faltam políticas públicas eficazes de prevenção da obesidade na primeira infância. "A gente está tentando tratar a obesidade grave, mas não estamos prevenindo a obesidade na primeira infância. A pobreza é uma das causas da obesidade infantil. Com o aumento da pobreza, a situação ficou ainda mais grave e, com isso, a obesidade vem aumentando."
Atendimento
A Secretaria de Saúde do DF alerta que caso os pais percebam que as crianças e adolescentes têm aumentado de peso, a orientação é procurar o serviço da atenção primária, a Unidade Básica de Saúde. Lá, os profissionais medem altura e peso e verificam se essas medidas estão dentro do padrão.
A Unidade Básica de Saúde irá realizar todas as providências, como solicitação de exames, avaliação, encaminhamento para acompanhamento com nutricionista, psicólogo e endocrinologista para dar continuidade ao tratamento da criança.
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