Por Isabel Dourado
A jornalista Marta Crisóstomo, 62 anos, classifica como caótica e revoltante a situação na Farmácia de Alto Custo, localizada na Asa Sul. Ela cuida juntamente com os irmãos da mãe, de 95 anos, diagnosticada com uma doença pulmonar crônica desde 2014 que depende do medicamento Bosentana, cujo custo ultrapassa o valor de R$3 mil e atualmente é fornecido apenas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ela, o processo para conseguir acesso ao remédio é burocrático e desgastante.
"Nós fizemos todo o procedimento, que já é um pesadelo. É um pedido com 10 itens de exigências, pedido de exames antigos, informações sobre a doença. Minha mãe teve o primeiro episódio em 2014, então eu tinha exames desde aquela época, mas algumas coisas acabaram se perdendo. Foi muito difícil conseguir recolocá-la no programa, mas conseguimos", conta.
Marta explica que, após a aprovação no programa, a primeira retirada da medicação precisa ser feita presencialmente em uma unidade da farmácia. Depois disso, o medicamento passa a ser entregue na residência dos pacientes cadastrados. "A partir daí, a cada mês, a gente agenda pelo telefone e eles entregam em casa. Isso está funcionando bem, nunca houve problema com a entrega domiciliar".
Apesar disso, ela conta que um dos grandes transtornos é a renovação periódica do cadastro. "Porém, a cada seis meses eu preciso voltar lá para renovar. Mas tem pessoas que precisam ir todo mês. Semana passada cheguei às 10h30 e não tinha mais senha para renovação porque o sistema estava instável. Não consegui atendimento", diz.
Ontem, ela voltou à unidade logo cedo, mas enfrentou novas dificuldades. "Ontem cheguei às 8h e pouco. Eu até confirmei antes se a medicação estava disponível, porque às vezes nem tem disponível. Mas consegui a senha só às 10h30, 11h. Foram duas horas e meia esperando só pra pegar a senha", relata ela.
Pacientes reclamam frequentemente sobre as longas filas na Farmácia de Alto Custo e da dificuldade no atendimento. "Eu estava com senha preferencial, porque tenho mais de 60 anos, e tinha mais de 90 pessoas esperando. A fila é monstruosa", relata.
Atendimento online
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informa que a Farmácia Digital está em fase de implantação. O novo sistema de gestão permitirá avanços como renovação digital, integração de serviços e melhoria no controle de filas presenciais.
A pasta destaca que a implantação está sendo feita de forma gradual nas unidades de Farmácia de Alto Custo do Distrito Federal.
"Como a migração ocorre conforme a renovação cadastral dos pacientes, a Secretaria de Saúde disponibilizou o agendamento pelo Agenda DF como solução imediata para que os usuários já possam acessar os serviços on-line sem precisar aguardar essa etapa. O Agenda DF funciona como ferramenta de agendamento integrada ao processo de transição do CEAF Digital. A medida permite ampliar o acesso digital da população aos serviços da Farmácia de Alto Custo, enquanto a implantação completa do novo sistema é realizada gradualmente", informa a pasta. Os pacientes que necessitam dos serviços de dispensação e renovação poderão realizar agendamentos pelo Agenda DF. Outra reclamação dos usuários refere-se à falta de informações e ausência de cartazes indicando onde podem registrar reclamações, sugestões ou denúncias.
"Não tem um único cartaz indicando onde as pessoas podem fazer reclamação na ouvidoria. E eles não dão um canal nem site. Isso é esperar pra ver, porque a gente sabe que esses sistemas constantemente caem e tem problemas.", afirma Marta. A SES-DF informa que a "divulgação das informações e orientações sobre os serviços é realizada por meio dos canais oficiais e redes sociais da pasta".