Em 2022, Leandro Grass disputou as eleições para o Governo do Distrito Federal e ficou em segundo lugar, com 434 mil votos, perdendo as eleições para Ibaneis Rocha ainda no primeiro turno.
Agora, o ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) volta a ser o candidato do PT ao GDF. Sua pré-candidatura será lançada no dia 19 de maio, numa chapa que terá como nomes para o Senado a atual senadora Leila Barros e a deputada federal Erika Kokay (PT). Grass vem tentando ampliar ao máximo sua candidatura. Terá o apoio da maioria do campo da esquerda, mas conversa também com a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) que, em princípio, é também pré-candidata ao governo do DF. Mas especialmente ainda espera o apoio do PSB, a quem reserva a vaga de vice na sua chapa. O partido, porém, mantém sua própria candidatura até o momento, com Ricardo Capelli.
Grass acredita que o impacto da crise do Banco Master/BRB embolou o jogo no DF, ampliando as suas chances. Pesquisas feitas pelo PT mostram como a crise afeta hoje as candidaturas da governadora Celina Leão (PP) e mesmo do ex-governador José Roberto (PSD), pelo envolvimento anterior com denúncias de corrupção levantadas pela Operação Caixa de Pandora. Para ele, porém, Celina segue sendo o nome a ser batido.
Integração da segurança
Em conversa com o Correio da Manhã, Leandro Grass, porém, elencou quais serão os maiores desafios a serem enfrentados caso vença as eleições de outubro. Encontrará um Distrito Federal combalido pela crise do Master e por outros problemas. Na sua avaliação, dois são os pontos principais a serem atacados: a saúde e a segurança.
O candidato do PT faz um alerta. “Quem vive no Plano Piloto talvez não sinta. Mas o crime organizado já atua no Distrito Federal e no entorno”, afirmou. “As pessoas têm uma percepção diferente do crime organizado em Brasília. A dinâmica entre periferia e centro aqui é diferente da realidade do Rio de Janeiro e de São Paulo. Quem mora no Plano Piloto não faz ideia do que está acontecendo na região de Santa Luzia, na Estrutural, não tem noção, mesmo ficando a apenas 15 quilômetros do Plano Piloto. A consequência disso é o sitiamento da cidade”, afirmou. “Existe um acordo tácito com a elite: ninguém explode pilotis, ninguém coloca fogo nas áreas comerciais. Mas, da fronteira do Plano Piloto para fora, quem manda são as organizações criminosas”.
Na entrevista, Grass defendeu maior integração das forças de segurança para combater o crime organizado no DF.
“Temos em relação à segurança pública que não tínhamos há vinte anos. O crime organizado que está genuinamente presente. Facções criminosas, tráfico de armas e grilagem”, disse Grass. Segundo ele, é crescente a participação de milícia na grilagem de terras. “Em Arapoanga e Sol Nascente isso já existe”, apontou. “Outra questão é o roubo e furto — especialmente o roubo de celular que disparou”.
“Então, você tem dois lados: esse primeiro, do crime organizado, e o outro, que é a sensação de insegurança”, comentou o candidato. “Isso tem a ver com dois problemas que vamos tentar resolver: integração e inteligência. Grass pretende atacar um problema histórico: a falta de unidade entre a Polícia Militar e a Polícia Civil.
“Existe um tabu histórico em Brasília de que a Polícia Militar e a Polícia Civil do DF não conversam. E realmente não conversam. É preciso fazer um movimento de integração profunda entre PM, Bombeiros, Polícia Civil e DF Legal para combater o crime organizado”.
O DF Legal entra na conta de integração, segundo Grass, justamente por conta do avanço da grilagem de terra a da ocupação irregular do solo. “Se você não atualizar o loteamento, vai haver avanço territorial: sobe prédio, condomínio, e ali se cria o ambiente ideal para o miliciano entrar e exercer controle”, avaliou.
Grass aponta como modelos a serem seguidos os do Piauí e Ceará. “Um processo de governança da segurança muito forte, que precisa ser liderado pelo governador”, considerou. “Outra coisa tem a ver com monitoramento. Brasília é 100% analógica em monitoramento”.
Grasse critica o que tem sido feito nesse sentido: o DF 360º. “Eles estão falando disso há tempos e nunca instalaram as câmeras. São Paulo, João Pessoa, estão com o monitoramento muito mais avançado nas cidades”, disse.
Atenção primária na saúde
Na saúde, Grass avalia ser necessário priorizar a atenção primária e repensar o modelo do IGES-DF. No governo Rodrigo Rollemberg, foi criado um sistema de serviço social autônomo para gerenciar o Hospital de Base. Ibaneis Rocha ampliou o sistema, integrando também as Unidades de Pronto-Atendimento em Saúde (UPAs) e o Hospital de Santa Maria.
“A saúde é hoje o maior problema do Distrito Federal”, diagnosticou Leandro Grass. No caso do IGES-DF, Grass enxerga uma anomalia no modelo. “Trata-se de uma instituição criada pelo próprio DF para serviço ao próprio DF. Não é uma parceria, é uma divisão de modelo dentro do próprio sistema de saúde”, criticou.
“Qual era a vantagem do Instituto Hospital de Base?”, comentou, referindo-se ao modelo original do governo Rollemberg. “ Você tem uma unidade descentralizada, com autonomia de gestão para comprar, contratar, reformar. Ela não faz gestão de saúde, faz a gestão da unidade de saúde. O IGES-DF faz a gestão de saúde. Ele é um guarda-chuva paralelo à Secretaria de Saúde”, comentou. “Quebraram o SUS em Brasília em dois blocos que não se conversam”.
Grass considera que o GDF tem de voltar a focar no avanço da atenção primária, com o modelo de Medicina da Família. “Temos que resgatar a Atenção Primária, fazer os investimentos na Atenção Secundária e Terciária e trazer toda a complementação possível para zerar a fila de cirurgias e exames no DF”, elencou.
“Hoje, há mais de 100 mil pedidos na regulação. Tem gente que não consegue fazer uma endoscopia”, criticou. Para isso, Grass aponta como caminho fazer convênios. “É convênio, entra em todos os convênios do Ministério da Saúde, fazer parceria público privado, fazer o que tiver que fazer. Precisa desafogar o sistema minimamente”, afirmou. E utilizar bem os recursos. “O DF devolveu R$ 200 milhões ano passado para a saúde nacional”.
Educaçao integral
Finalmente, na educação, Grass defende o aumento do ensino integral. O Distrito Federal é uma das unidades da federação que menos avançou na criação de escolas de tempo integral.
“O DF está em último lugar na proporção da educação integral em todo o Brasil”, atacou.
No caso das creches, Grass também defende o estabelecimento de convênios. “O caminho mais rápido é o convênio. Enquanto você vai construindo novas creches, vai conveninando ou ampliando os convênios existentes, com critério, rigor e qualidade”, defendeu.