O Brasil registrou o maior número de feminicídios desde que esse tipo de crime passou a ser previsto na legislação, em 2015. Dados divulgados nesta quinta-feira (23) pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelam que 1.571 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, um aumento de 4% em comparação com os 1.504 casos contabilizados no ano anterior. Na prática, a média foi de quatro mulheres assassinadas por dia em razão da violência de gênero.
O crescimento ocorre em um cenário oposto ao observado nas estatísticas gerais de criminalidade. Enquanto os feminicídios avançaram, o país alcançou o menor número de mortes violentas intencionais dos últimos 13 anos. Em 2025, foram registrados 40.775 casos, redução de 8% em relação aos 44.126 contabilizados em 2024.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, responsável pelo levantamento, as mortes violentas intencionais englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e ocorrências decorrentes de intervenção policial.
Outro dado considerado relevante é a taxa nacional de homicídios dolosos, que caiu para 15,4 mortes por 100 mil habitantes. O índice ficou abaixo da meta de 16 homicídios por 100 mil habitantes prevista pelo Plano Nacional de Segurança Pública para 2027, resultado alcançado com dois anos de antecedência.
Violência contra mulheres continua em alta
Além do aumento dos feminicídios, o levantamento identificou crescimento em diversos indicadores relacionados à violência contra mulheres. As tentativas de feminicídio aumentaram 6%, enquanto os registros de violência psicológica cresceram 17%.
Também houve alta nos casos de descumprimento de medidas protetivas, que avançaram 17%, nas ocorrências de stalking, com aumento de 30%, nas agressões decorrentes de violência doméstica, que subiram 2,6%, e nas ameaças, que tiveram elevação de 0,5%.
O estudo mostra ainda que, ao longo de 2025, foram registradas aproximadamente três tentativas de feminicídio para cada caso consumado, indicando que a violência letal contra mulheres permanece precedida por um histórico de agressões e outros episódios de violência.
Menor índice de mortes violentas desde 2012
Apesar do avanço da violência de gênero, os indicadores gerais de segurança pública apresentaram melhora. A redução das mortes violentas foi observada em 20 das 27 unidades da federação, levando o Brasil ao menor patamar registrado desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Pela primeira vez, a taxa nacional ficou abaixo de 20 mortes violentas por 100 mil habitantes, atingindo 19,1. Entre os estados que apresentaram as maiores reduções estão Amazonas, Rio Grande do Sul e Mato Grosso.
Mortes causadas por policiais aumentam
O anuário também identificou crescimento de 5% nas mortes provocadas por intervenções policiais em 2025. Em contrapartida, o número de policiais mortos apresentou queda de 3% no mesmo período.
Outro destaque do levantamento foi o avanço de 25% nos registros relacionados à produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil.
Entre crianças e adolescentes, os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60%, reflexo também da criação de uma tipificação penal específica para esse tipo de crime.
Sistema prisional e armas também entram no levantamento
O relatório mostra que a população carcerária brasileira chegou a 964 mil pessoas, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Mantida a tendência atual, o país poderá ultrapassar a marca de um milhão de presos até 2027.
Na área de controle de armas, o Brasil contabiliza cerca de 2,1 milhões de pessoas e empresas autorizadas a possuir armamento. Desse total, aproximadamente um milhão corresponde a registros de caçadores, atiradores e colecionadores (CACs). O levantamento aponta ainda que três em cada dez armas cadastradas possuem registro vencido.
Além dos dados nacionais, o Anuário Brasileiro de Segurança Pública destaca que as dez cidades com maiores taxas de mortes violentas estão localizadas no Nordeste. Santa Catarina aparece como o estado com a menor taxa de mortes violentas do país, superando São Paulo, que ocupava essa posição desde 2014.
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