A Justiça de São Paulo deu início ao julgamento dos três policiais militares acusados de participação no assassinato do empresário Antônio Vinícius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC), morto em novembro de 2024, no Aeroporto de Guarulhos (SP). No primeiro dia do júri popular, quatro testemunhas prestaram depoimento sobre o crime.
Os réus são o tenente Fernando Genauro da Silva, acusado de dirigir o carro usado na fuga pelos atiradores; o cabo Denis Antonio Martins e o soldado Ruan Silva Rodrigues, apontados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) como responsáveis pelos disparos.
A primeira testemunha a depor, William Souza Santos, trabalhava no aeroporto e foi atingida em três dedos da mão durante o atentado. Ele afirmou não ter visto o rosto dos atiradores, mas reconheceu o carro usado na execução. “Era uma sexta-feira. Normalmente o aeroporto é movimentado, mas naquele horário nem tanto. Mais tarde, com o embarque e desembarque de passageiros e a chegada dos funcionários, o fluxo seria bem maior”, disse.
“Reparei quando o veículo parou e, logo em seguida, ouvi um barulho que parecia rojão”, afirmou William, recordando não ter ouvido nenhuma discussão antes dos disparos.
A segunda testemunha, identificada como Samara, trabalhava como gerente de TI e retornava de uma viagem a Salvador, na Bahia. Ela esperava um carro de aplicativo quando ouviu os disparos e se escondeu atrás de uma coluna. A mulher foi ferida por um disparo no abdome.
"Eu estava bem atrás, só ouvi os barulhos dos tiros e depois os gritos. Não vi o carro nem as pessoas que desceram atirando. Eram muitos tiros, na hora achei um barulho agudo, achei que fosse outra coisa, nunca tinha ouvido. Foram rajadas, aí teve uma pausa, vários tiros de novo e daí parou", disse.
A funcionária pública Simone Novais, viúva do motorista de aplicativo Celso Araujo Sampaio de Novais, morto no atentado, foi a terceira testemunha a depor. Ela relatou problemas familiares e financeiros desde a morte do marido. Celso chegou a gravar um vídeo para a esposa após ser socorrido.
“Levei um tiro, estou dentro da ambulância”, dizia o motorista. “Não estamos conseguindo seguir com a vida, me preocupa especialmente o filho de 15 anos, eles eram muito apegados. Foi desesperador ver meu filho puxando ele para levantar. O de 15 anos se fechou ali”, contou.
Um perito criminal foi a quarta testemunha a prestar depoimento sobre o crime nesta segunda-feira (22). De acordo com o servidor, foram identificados 27 disparos de fuzil no local do crime por escaneamento, sendo 21 de calibre 7.62 e seis de 5.56. Um dos disparos chegou à área interna do aeroporto, a 80 metros do local do crime.
O crime
Antônio Vinícius Gritzbach foi assassinado no dia 8 de novembro de 2024, quando retornava a São Paulo pelo Aeroporto de Guarulhos. Antes de morrer, o empresário delatou um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro envolvendo integrantes do PCC, do Comando Vermelho (CV) e policiais corruptos. Pelo depoimento, Gritzbach receberia redução de pena pelo crime de lavagem de dinheiro do PCC.
O julgamento dos militares acusados pela morte do empresário acontece no Fórum Criminal de Guarulhos e deve se estender por cinco dias. No total, 21 testemunhas serão ouvidas pelos jurados.
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