O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (3) que o golpe militar de 1964 no Brasil teria contado com articulação de representantes dos Estados Unidos e voltou a criticar o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, durante reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto.
Ao comentar a recente crise diplomática entre os dois países, Lula declarou que o Brasil conhece sua própria história e não deseja conflitos com os Estados Unidos. Segundo o presidente, a participação de diplomatas americanos nos acontecimentos que levaram ao golpe de 1964 é um fato conhecido. Historiadores e documentos oficiais divulgados ao longo das últimas décadas apontam apoio político e logístico do governo norte-americano ao movimento que resultou na deposição do presidente João Goulart.
A declaração ocorreu antes do início da reunião ministerial convocada para discutir temas relacionados às relações com os Estados Unidos e ao cenário político-eleitoral.
Durante o encontro, Lula também reagiu a falas recentes de Marco Rubio, que classificou o Brasil como uma exceção em uma América Latina formada majoritariamente por países aliados dos Estados Unidos. Em audiência no Senado americano, o secretário afirmou que Washington mantém uma ampla rede de parceiros na região, mas citou Brasil, Nicarágua e Venezuela entre os governos que não se enquadrariam nesse grupo.
Ao responder às declarações, Lula voltou a afirmar que Rubio tem posições contrárias a diversos países latino-americanos. O presidente já havia feito críticas semelhantes na terça-feira (2), quando classificou o chefe da diplomacia americana como “anti-América Latina” em meio às divergências comerciais entre os dois países.
A troca de críticas ocorre em um momento de tensão entre Brasília e Washington, após a proposta de novas tarifas sobre produtos brasileiros e outros atritos diplomáticos envolvendo temas comerciais e de segurança.
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