Localizar uma pessoa desaparecida depende, em muitos casos, da rapidez com que informações são reunidas e compartilhadas entre diferentes órgãos. Mais de 84 mil pessoas foram registradas como desaparecidas no Brasil em 2025, segundo o Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Entre crianças e adolescentes, foram 23.919 ocorrências.
O debate chegou ao Senado Federal, e a Comissão de Direitos Humanos (CDH) aprovou o Projeto de Lei 5.533/2025, que propõe a criação do Sistema Nacional de Alerta e Notificação de Pessoas Desaparecidas (Sanpd), com comunicação em tempo real e início imediato das buscas após o registro da ocorrência.
Para Fabiano Carvalho, especialista em Transformação Digital e CEO da Ikhon, o cruzamento de registros com dados de localização, mapas digitais, imagens de satélite e outros recursos geoespaciais pode apoiar a identificação de áreas de interesse, a análise de deslocamentos e o direcionamento das equipes de busca.
“As soluções geoespaciais podem dar contexto de território, mapear onde os desaparecimentos se concentram, cruzar as últimas localizações conhecidas com rotas, câmeras e deslocamentos, orientando buscas em campo com apoio de imagens aéreas. São fatores que podem auxiliar na priorização dos locais de busca, o que pode fazer a diferença no tempo de localização de um desaparecido”, diz Carvalho.
Já existem outras ações com o propósito de reunir diferentes conjuntos de dados para identificar pessoas desaparecidas. Um exemplo é o Sistema Nacional de Localização e Identificação de Desaparecidos (Sinalid), ligado ao Ministério Público de São Paulo, que integra dados de segurança pública, saúde, assistência social e organizações da sociedade civil, como forma de otimizar ações de busca.
Recentemente, as câmeras de reconhecimento facial de São Paulo e do Rio de Janeiro foram conectadas a esse banco nacional, o que permite que o rosto de um desaparecido de qualquer lugar do país seja procurado nas redes de câmeras dessas cidades.
Apesar das iniciativas, a integração entre diferentes sistemas ainda enfrenta obstáculos, segundo o especialista: “O principal desafio a se vencer é a criação de padrões de dados únicos, como um identificador padrão, formatos de arquivos que sejam legíveis por diferentes plataformas e catálogos de serviços que se conversem. Acima de tudo, ações de governança que definam regras que vão no sentido da integração de dados”.
Fabiano também aponta que, em relação à proteção de dados, é importante salientar que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) não é inimiga da integração, ela é a régua que a torna legítima. “A própria lei determina, no artigo 25, que os dados do poder público sejam mantidos em formato interoperável e estruturado para execução de políticas públicas. E, na prática das buscas, isso já acontece: no sistema do Ministério Público, por exemplo, a inclusão de dados depende do consentimento prévio de familiares. O desafio real é equilibrar a urgência de encontrar alguém com o respeito à privacidade”, afirma o CEO da Ikhon.
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