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PF adia depoimento de Augusto Lima, ex‑sócio de Daniel Vorcaro

Documentos revelados pela Polícia Federal apontam que Augusto Lima é descrito pelos investigadores como um elo entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master

PF adia depoimento de Augusto Lima, ex‑sócio de Daniel Vorcaro
Oitiva do empresário Augusto Lima que foi adiada não tem nova data marcada. Ex-sócio de Vorcaro é apontado pela Polícia Federal como um elo entre o senado Jaques Wagner e o Banco Master Crédito: Reprodução

A Polícia Federal adiou o depoimento de Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso em Brasília. Segundo a PF, ele é apontado como um elo entre o senador Jaques Wagner e o Banco Master.

Documentos revelados pela Polícia Federal na última sexta-feira (31) indicam que Augusto Lima e o senador Jaques Wagner realizaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025. O adiamento foi autorizado após a defesa solicitar o reagendamento da oitiva.

Augusto Lima foi alvo de mandados de busca e apreensão em 18 de junho, durante a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo no Senado. Segundo as investigações baseadas em dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, Lima teria atuado nas tratativas relacionadas à compra das carteiras do Banco Master pelo BRB.

Padrão de comportamento entre ex-sócio e senador para nao produzir provas 

A Polícia Federal identificou um padrão de contatos entre o senador Jaques Wagner (PT-BA) e Augusto Lima. Segundo relatório que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), os dois realizaram 74 ligações entre novembro de 2023 e maio de 2025, período em que a PF também apura a suposta concessão de vantagens indevidas ao parlamentar.

Os registros, obtidos a partir da perícia no celular de Augusto Ferreira Lima, mostram que as conversas somaram mais de cinco horas e meia. Para os investigadores, a frequência dos contatos reforça a existência de uma relação próxima entre os dois durante o período investigado.

Mais do que a quantidade de ligações, a Polícia Federal chama atenção para a forma como elas ocorreram. De acordo com o relatório, havia preferência por chamadas de voz em aplicativos de mensagens, em vez de conversas por texto. Na avaliação da corporação, esse padrão reduz a produção de registros permanentes das comunicações e pode dificultar o rastreamento das interações.

A investigação também analisa se Jaques Wagner atuou em favor de interesses do Banco Master em discussões no Congresso Nacional. Entre as frentes apuradas está uma proposta envolvendo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que, segundo a PF, poderia beneficiar a instituição financeira.

Os investigadores ainda apuram se o senador recebeu vantagens indevidas durante o período das comunicações. O relatório menciona, entre os benefícios sob investigação, o uso de helicópteros, hospedagens, ingressos para shows e um apartamento de alto padrão em Salvador. A Polícia Federal ressalta que esses fatos fazem parte da investigação e ainda serão analisados ao longo do processo.

Na decisão que autorizou novas medidas da Operação Compliance Zero, André Mendonça também registrou preocupação com um possível vazamento das investigações. O ministro destacou um episódio em que um dos investigados buscou contato com seu gabinete no mesmo dia em que a Polícia Federal apresentou pedidos sigilosos ao Supremo, circunstância considerada relevante para a adoção de medidas urgentes.

Jaques Wagner nega irregularidades. O senador afirma que não praticou qualquer ato ilícito e sustenta que os fatos serão esclarecidos durante o andamento da investigação. Questionado na última sexta-feira o senado foi taxativo: "Tenho certeza que vou provar minha inocência. O inquérito evidentemente vai demorar um tempo. Agora estou focado na eleição. Temos dois meses, sábado será nossa convenção, com a presença do Lula", disse em entrevista a BNews na Bahia.