Considerado a forma moderna de escravidão, o tráfico de pessoas é uma das mais graves violações dos direitos humanos na atualidade e figura entre os crimes mais lucrativos do mundo, movimentando bilhões de dólares por ano. Em março, o tema ganhou destaque com relatos de dois brasileiros que foram transportados para o Camboja e mantidos em um complexo controlado por criminosos, onde eram forçados a trabalhar aplicando golpes virtuais sob ameaças de violência.
Dados divulgados no Relatório Nacional Sobre o Tráfico de Pessoas de 2025, no início de julho, registraram um aumento de 33% no número de vítimas no Brasil entre 2024 e 2025. Nesta quinta-feira (30), Dia Mundial de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, especialistas alertam para a importância da conscientização sobre o tráfico humano.
A Coordenadora-Geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes, Marina Bernardes de Almeida, explicou que o tráfico no Brasil ocorre para uma de cinco finalidades: exploração sexual (43,7%), trabalho em condições análogas à escravidão (36,6%), servidão (17%), adoção ilegal (2,7%) e a remoção de órgãos.
Segundo o relatório, as mulheres compuseram a maioria das vítimas do tráfico humano (53,6%) no ano passado. Entre as vítimas notificadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 71,8% foram identificadas como pessoas pretas e pardas.
Nos dados de 2025, o número de casos de exploração sexual quadruplicou desde 2024, tornando-se a principal finalidade nos inquéritos instaurados pela Polícia Federal (PF). No entanto, o trabalho escravo predomina nos registros de tráfico internacional.
Almeida afirmou que este é um tema invisibilizado no país. Além disso, ela apontou que as formas de aliciamento mudaram devido às novas tecnologias emergentes.
"Hoje, o aliciamento, o controle e a própria exploração migraram para o ambiente virtual. Esse controle hoje é muito mais sutil, por meio de aplicativos de GPS. O aliciamento se dá por meio de plataformas e aplicativos de mensagens", informou.
A coordenadora orientou a população a se atentar aos golpes on-line: "Sempre busque informação e desconfie quando a proposta for boa demais para ser verdade."