Começou nesta segunda-feira (25) a audiência de instrução e julgamento do ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, no Tribunal do Júri de Águas Claras. Pedro é acusado de assassinar o adolescente Rodrigo Fleury Castanheira, 16 anos, no dia 22 de janeiro, após sair de uma festa em Vicente Pires, no Distrito Federal. A vítima foi espancada, ficou em estado gravíssimo e não resistiu.
Familiares e amigos da vítima organizaram mobilizações nas redes sociais e acompanham o ato em frente ao Fórum. Albert Halex, advogado que representa a família de Rodrigo Castanheira, classificou a audiência como “momento crucial” na busca por justiça para o adolescente.
A Audiência de Instrução e Julgamento (AIJ) é considerada uma etapa fundamental do processo judicial na qual o juiz reúne as partes, advogados e testemunhas para a produção de provas orais (como depoimentos e perícias) na primeira fase dos processos. É uma das fases mais cruciais da ação e serve para esclarecer os fatos e embasar a sentença. De acordo com o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), 10 pessoas foram ouvidas e uma foi dispensada. O réu começou a depor e a previsão era de que audiência seguisse até a madrugada.
Até agora, apenas Pedro Turra foi denunciado por homicídio doloso pelo Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT). Ele permanece preso no Centro de Detenção Provisória, no Complexo da Papuda, desde o dia 30 de janeiro. Ao menos sete pedidos de habeas corpus foram apresentados pela defesa do réu. Todos foram negados pelo TJDFT e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Durante a briga, que foi gravada, Pedro Turra desferiu vários socos contra Rodrigo. O adolescente sofreu traumatismo craniano severo e foi levado ao hospital em estado crítico. Rodrigo passou por uma cirurgia de emergência para drenagem de sangue no crânio, após o rompimento de uma artéria.
O jovem ficou internado por 16 dias em estado gravíssimo na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Brasília, em Águas Claras, e chegou a ter uma parada cardiorrespiratória de 12 minutos. Devido aos danos, Rodrigo Castanheira não resistiu e morreu no dia 7 de fevereiro. Ele foi sepultado no dia seguinte, no cemitério Campo da Esperança, da Asa Sul, sob forte comoção dos familiares e amigos que pediram justiça pelo jovem.
Crime premeditado
A primeira versão apresentada apontava que a confusão entre Pedro Turra e Rodrigo Castanheira começou após Turra jogar um chiclete mascado em direção a um amigo da vítima. Rodrigo teria reagido em defesa do colega. No entanto, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar se essa versão estava sendo utilizada para encobrir a real motivação da agressão.
De acordo com depoimentos prestados por testemunhas, Rodrigo pode ter sido vítima de uma emboscada motivada por ciúmes. A apuração mostra que Turra teria sido chamado para agredir Rodrigo por outro piloto, menor de idade, que teria se incomodado ao saber que o jovem estava conversando com uma ex-namorada.
Pedido de justiça
A família de Rodrigo Castanheira tem feito uma série de campanhas em busca de agilidade no processo e pela condenação dos outros envolvidos no homicídio do jovem. A família também realizou uma passeata no dia 29 de março, no Centro de Brasília, para cobrar outros indiciamentos.
Uma semana antes da audiência de instrução, a mãe de Rodrigo, Rejane Fleury, publicou nas redes sociais uma foto do filho em coma no hospital e pediu justiça. “Foi assim que meu filho ficou por 16 dias antes de morrer vítima de uma emboscada de assassinos”, escreveu na publicação.