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MP paraguaio indicia ex-presidente Santiago Peña e pede prisão preventiva

Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central, também foi indiciado. Banco Central devolve dinheiro a parte dos correntistas do Ueno

MP paraguaio indicia ex-presidente Santiago Peña e pede prisão preventiva
Ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi indiciado pelo Ministério Público Crédito: Reprodução

O Ministério Público do Paraguai indiciou neste sábado (7) Santiago Peña, ex-presidente do país que sofreu impeachment, e Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central paraguaio. A promotoria também solicitou a manutenção da prisão dos dois.

Além do pedido da conversão da prisão para preventiva, o MP também pediu o levantamento de informações bancárias, fiscais, patrimoniais e societárias de Peña e de Carvallo. Eles são investigados no caso Ueno Bank, que apura irregularidades envolvendo a instituição financeira e seus antigos dirigentes.

O ex-presidente prestou depoimento neste sábado na sede do Procuradoria-Geral do Ministério Público, em Assunção. Ele é apontado como um dos sócios do grupo controlador do Ueno e está sendo investigado por suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes.

Durante a madrugada, Peña foi transferido para uma instalação militar. Ele cumpria prisão domiciliar e deixou a sua residência por motivos de segurança, já que o local era alvo de protestos. O ex-presidente está no Regimiento Escolta Presidencial (REP), em Assunção. O REP é uma espécie de quartel de elite das Forças Armadas, não uma prisão.

Banco Central paraguaio diz que devolveu dinheiro de 1,2 milhão de correntistas do Ueno

O Banco Central do Paraguai (BCP) declarou, também neste sábado, que 1,196 mil correntistas do Ueno Bank tiveram seu dinheiro devolvido. Os fundos estavam bloqueados após o fechamento do banco. No total, foi devolvido o equivalente a cerca de R$ 880 milhões.

O balanço foi apresentado em coletiva de imprensa no Palácio López, depois de uma reunião de emergência entre o presidente interino Pedro Alliana, ministros da Economia e Finanças e a diretoria do BCP.

A devolução atinge pouco mais de 30% dos clientes do maior banco digital do país, que tem cerca de 3 milhões de correntistas. Com a intervenção do Banco Central paraguaio, foi interrompido o acesso ao dinheiro depositado.

Investigação

As investigações apontam que o ex-presidente é um dos sócios do grupo controlador do Ueno Bank e é alvo de suspeitas de gestão fraudulenta e outros crimes. O ex-presidente compareceu na manhã deste sábado a uma promotoria federal para prestar esclarecimentos.

De acordo com o o Ministério Público paraguaio, a prisão de Peña foi decretada por suspeitas dos seguintes crimes: lesão de confiança, tráfico de influência e administração para proveito próprio.

Peña nega ter cometido os crimes. O MP paraguaio segue com as investigações para determinar quais as circunstâncias de cada crime que teria sido cometido pelo ex-presidente.