Internacional

Governo Trump sanciona Tribunal Internacional após anúncio de Nobel para juíza

Sanções do governo Trump buscam impedir atuação do TPI; juíza vencedora do Nobel supervisionou relatório que aponta genocídio cometido por Israel em Gaza

Governo Trump sanciona Tribunal Internacional após anúncio de Nobel para juíza
Governo Trump anunciou sanções ao Tribunal Penal Internacional nesta sexta-feira (9) Crédito: Daniel Torok/The White House

O governo dos Estados Unidos determinou sanções contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) horas após o anúncio do Prêmio Nobel da Paz para a juíza sul-africana Navi Pillay, integrante da Corte. As sanções atingem diretamente a estrutura do TPI e incluem a proibição de transações comerciais e financeiras, cortando recursos e prejudicando as operações do tribunal, além do congelamento de ativos que o TPI possua sob a jurisdição dos Estados Unidos.

A medida é resultado do trabalho da juíza Navi Pillay na supervisão de um relatório da Comissão de Inquérito do TPI que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, com a conivência e incitação de altos funcionários do governo, incluindo o premiê, Benjamin Netanyahu.

Macaque in the trees
Juíza Navi Pillay foi anunciada vencedora do Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9) | Foto: Divulgação / ONU

No anúncio das sanções desta sexta-feira (9), o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ameaçou “acabar com o TPI” caso cidadãos norte-americanos continuem sendo denunciados pelo tribunal. O secretário também pressionou aliados a se manifestarem contra a Corte.

“O presidente Trump jamais permitirá que o Tribunal Penal Internacional processe cidadãos americanos. [...] Proibiremos transações com esse tribunal desonesto, cortando seus recursos e prejudicando sua capacidade de operar. Ou o TPI acabará com suas ameaças, ou nós acabaremos com o TPI”, disse Rubio.

“E esperamos que nossos aliados, muitos dos quais fazem parte do TPI e dependem dos militares americanos para sua defesa, controlem esse tribunal fora de controle”, ameaçou.

Macaque in the trees
Marco Rubio ameaçou "acabar" com o Tribunal Penal Internacional | Foto: Reprodução/The White House

Para a vice-procuradora do TPI, Nazhat Shameem Khan, as sanções impostas pelos EUA representam uma tentativa de impedir o trabalho do tribunal e “devem ser condenadas”. “As sanções visam minar o Estado de Direito internacionalmente e o trabalho que uma instituição judicial independente está realizando. Nosso trabalho continuará em todas as nossas situações, nossas investigações e nossos processos”, disse Khan.

O TPI também emitiu uma nota oficial pedindo que seus integrantes mantenham uma atuação independente. “Trata-se de uma tentativa de obstruir o curso da justiça e impedir que o Tribunal faça aquilo para o qual foi criado. É um ataque ao Estado de Direito e aos próprios fundamentos da ordem jurídica internacional”, afirmou a Corte.

Após o anúncio das sanções, os chanceleres de vários países europeus, do Japão e do Canadá se manifestaram a favor do TPI, reafirmando apoio incondicional à atuação dos magistrados. “Se forem implementadas, essas sanções terão um impacto significativo sobre o trabalho do Tribunal, seus dedicados funcionários e suas famílias”, afirmaram, em nota conjunta, os ministros das Relações Exteriores do Canadá, da Dinamarca, Alemanha, França, Itália, Japão, Países Baixos e do Reino Unido.

Principal órgão executivo da União Europeia, a Comissão Europeia também garantiu que atenderá ao pedido do tribunal e trabalhará em estreita colaboração com o TPI para garantir que ele continue a operar eficazmente. A comissão classificou a medida dos EUA como “profundamente lamentável” e avaliou que ainda é possível reverter a situação: “Como há um prazo de seis meses antes que as medidas sejam aplicáveis, há espaço para o diálogo”, afirmou o colegiado.