Alemanha elege presidente de Parlamento de extrema-direita
07 de outubro de 202600:03Redação
Extrema-direita deve ter primeiro governo estadual desde o nazismoCrédito: Reprodução/ X - @AfDFraktionLSA
Tobias Rausch, político da AfD (Alternativa para a Alemanha), foi eleito na terça-feira (6), em Magdeburgo, presidente do Parlamento estadual em Saxônia-Anhalt. Um passo notável para a Alemanha contemporânea, descrito de maneira sucinta por uma oposicionista: Rausch é "o primeiro presidente parlamentar de extrema direita desde Hermann Göring".
Göring, braço direito de Adolf Hitler durante o regime nazista, foi usado como medida histórica por Heidi Reichinnek, líder do partido A Esquerda. Sua fala não mirava a AfD, mas a CDU (União Democrata-Cristã), legenda do primeiro-ministro, Friedrich Merz. Em votação secreta, Rausch recebeu 48 votos, mais do que os 44 da soma da AfD (39) com a sigla nanica BSW (5). Os quatro votos extras, especula-se, vieram da bancada dos democratas-cristãos. Verdes, SPD e A Esquerda orientaram o voto contra, enquanto a CDU pregou a abstenção, manobra percebida como ambígua.
Assunto será discutido em Berlim
Ascensão da extrema-direita na Alemanha preocupa EuropaCrédito: Jörg Braukmann via Wikimedia Commons
"Quando se tratou de elevar um extremista de direita ao cargo mais alto, 9 dos 15 deputados da União [CDU] decidiram conscientemente abrir caminho para ele, seja votando a favor ou se abstendo", declarou Reichinnek.
Matthias Miersch, líder do SPD, foi mais diplomático sobre a atitude do parceiro de coalizão federal, mas afirmou que o assunto certamente seria discutido em Berlim. "Trata-se da situação geral dos nossos partidos nessa conjuntura difícil."
Chefe do Parlamento vê situação preocupante
Thorsten Frei, chefe do grupo parlamentar da CDU no Bundestag, o Parlamento Federal, afirmou que viu o episódio com preocupação, mas ponderou que creditar ao partido os quatro votos extras é "pura especulação". Horas depois, o enredo da novela piorou, quando Hans-Thomas Tillschneider, figura bem mais controversa da AfD, foi eleito vice-presidente da Casa com 44 votos. Desta vez, quem correu para dizer que não votou no deputado foi a BSW, um partido peculiar, que se diz de esquerda e conservador.
AfD obteve o apoio de 44% dos eleitores
As eleições regionais na Saxônia-Anhalt, um dos estados mais pobres da Alemanha, viraram notícia mundial no mês passado, quando a AfD obteve o apoio de 44% dos eleitores. Seu principal candidato, Ulrich Siegmund, que nesta terça apareceu no Parlamento tomando café em uma caneca com a inscrição "lágrimas da esquerda", deve ser eleito governador em dezembro.
II Guerra Mundial
Como nesta terça, sua confirmação terá como necessária referência o arco histórico com o nazismo. Será a primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial que a Alemanha terá um governo de extrema direita. "Não vou exercer esse cargo como presidente de um grupo parlamentar, mas sim como presidente do Parlamento da Saxônia-Anhalt", afirmou Rausch.
Tempos passados
"Os tempos de 'Brandmauer' deveriam ser coisa do passado", afirmou, referindo-se ao firewall, a prática de não negociar ou votar com a AfD que os partidos políticos adotam na Alemanha. É esse apelo de supostos tons democráticos que políticos da CDU local usam para justificar uma aproximação com a legenda populista.
Outras preocupações
Representantes da CDU se sentem encurralados por um governo Merz cada vez mais impopular e a adesão crescente dos eleitores à AfD com promessas populistas e reacionárias. Preocupações ideológicas e o peso do passado ficam cada vez mais de lado.
Por José Henrique Mariante (Folhapress)
Trump em baixa
O índice de aprovação do presidente Donald Trump permaneceu na mínima recorde de sua carreira política nos últimos dias, segundo novo levantamento Reuters/Ipsos concluída na segunda-feira (5).
A pesquisa, realizada ao longo de seis dias, mostra que 32% dos americanos aprovam a presidência de Donald Trump.
Eleitores hispânicos
É um percentual inalterado em relação a um levantamento Reuters/Ipsos de setembro, que apontou a avaliação do republicano no nível mais baixo de sua carreira política. Os eleitores hispânicos ajudaram a impulsionar Trump à vitória na disputa presidencial de 2024, quando conquistou quase metade dos votos desse grupo, ante cerca de um terço na eleição de 2020.
Apoio em queda livre
O apoio a Trump vindo deste grupo social diminuiu nos últimos meses para 24%, em meio ao aumento da inflação desencadeado pela decisão de entrar em guerra com o Irã. Hispânicos também são um grupo afetado pela política anti-imigração agressiva da Casa Branca, com retirada de políticas públicas para migrantes, além de detenções e deportações.
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