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Ucrânia vence a Rússia na primeira batalha naval de drones

Ucrânia vence a Rússia na primeira batalha naval de drones
Trump pediu que Zelenski cesse ataque a estrutura de diesel de Putin Crédito: Reuters/Folhapress

Na primeira batalha naval entre drones registrada na história, um bote-robô da Ucrânia levou a melhor sobre seu adversário russo no mar Negro.

A Marinha ucraniana divulgou um vídeo sem data revelada neste sábado (12). Nele, um modelo Sargan-3000 equipado com uma metralhadora de 12,7 mm duela com um modelo semelhante, mas não identificado, das forças de Vladimir Putin. O Sargan, que empresta seu nome da palavra ucraniana para peixe-agulha, foi revelado em abril deste ano. Segundo a Marinha, o serviço secreto militar identificou o alvo, que estava sendo monitorado por um drone aéreo pelo que se vê no vídeo, e enviou o bote para combate.

A Rússia não comentou o vídeo, mas um analista militar moscovita afirmou à reportagem que ele era legítimo, e que de fato não há registro de alguma batalha do tipo até então.


Incidente é um marco na história naval

Incidente é um marco na história naval
Popularidade de Putin está começando a ser afetada na Rússia Crédito: Daniel Torok/ Casa Branca

Militarmente, é apenas um detalhe na Guerra da Ucrânia, que se arrasta por quatro anos e meio, mas o incidente é um marco da história naval. Drones aquáticos, submarinos ou de superfície, fazem parte do conflito desde seus primórdios. Mas nunca havia ocorrido um embate direto entre robôs, que usam alguma medida de inteligência artificial em seus comandos. O Sargan foi idealizado como mais uma plataforma para ataques suicidas depois que a Marinha da Ucrânia foi obliterada pelos russos no conflito.

Mar Negro está no centro do conflito

O emprego desses drones por Kiev foi eficiente, obrigando a Frota do Mar Negro do rival a procurar refúgio em portos mais distantes. Ainda assim, a força naval de Putin na região foi afetada, com o site de monitoramento de perdas militares comprovadas Oryx contando 25 navios e 1 submarino destruídos —entrando no balanço aqueles atingidos por mísseis e drones aéreos. O mar Negro tem sido um teatro ativo da guerra neste ano. Ao lançar sua campanha de drones e mísseis de longa distância, Kiev mirou navios graneleiros russos que deixam a região do rio Don.

Zelenski propôs trégua, mas Putin recusou

O impacto foi grande, levando a uma retaliação intensa contra portos e embarcações da Ucrânia no entorno de seu principal porto, Odessa. Estimativas preliminares falam numa queda de 75% das exportações de grãos ucranianos, principal fonte de renda do país, e de 60% na Rússia.

O presidente Volodimir Zelenski propôs uma trégua específica na região, sem sucesso.

Afetou Vladimir Putin

Zelenski também mantém uma campanha ativa contra a infraestrutura logística e energética russa, mirando refinarias. Isso levou a uma crise de abastecimento na Rússia, que teve de vetar a exportação de diesel e gasolina, além de importar combustíveis. Para Putin, foi um baque que até atingiu sua popularidade, segundo pesquisas.

Retaliação russa

Vale destacar que a Rússia é dona da segunda maior produção de petróleo do mundo ao lado da Arábia Saudita. A retaliação também se intensificou, com os russos aumentando ataques com mísseis balísticos contra Kiev e outros centros urbanos. Tudo isso fez disparar a mortalidade de civis no conflito para o nível mais alto desde o primeiro mês da guerra.

Trump e Zelenski

Neste domingo, o presidente Donald Trump conversou com Zelenski ao telefone. A repórteres na Irlanda, o americano disse que pediu para que os ucranianos parassem de "atacar o diesel russo". "Há muitos outros alvos. Não ataque o diesel", afirmou, sem relatar a reação ucraniana. Trump retomou a tentativa de mediar o conflito na semana passada.

Retomar negociações

Na última semana, os enviados de Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, estiveram com Vladimir Putin e Volodimir Zelenski.

Ainda é incerto, porém, quando as negociações serão retomadas. Caso ocorram, elas provavelmente serão em Abu Dhabi.

Por Igor Gielow (Folhapress)

Ataques a civis

Ataques aéreos russos em várias regiões da Ucrânia mataram dez pessoas no sábado (12), feriram dezenas e danificaram edifícios residenciais e infraestruturas em todo o país, segundo autoridades ucranianas. O número de civis mortos aumentou na Ucrânia nos últimos dois meses, à medida que a Rússia intensifica os ataques contra usinas de energia.

Ataques de 90 minutos

A Câmara Municipal de Kramatorsk, uma das cidades ucranianas na linha de frente que a Rússia tenta capturar, afirmou que as forças russas atacaram carros particulares, matando três pessoas em três incidentes ocorridos ao longo de 90 minutos. "Esses não são alvos militares. São carros comuns de civis. As pessoas estavam cuidando de seus afazeres", disse a Câmara.